Meta silencia áudio de vídeo do deputado Nikolas Ferreira
A dona do Instagram e do Facebook removeu a trilha sonora de uma postagem feita pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A medida ocorreu após uma notificação formal por violação de propriedade intelectual envolvendo a canção reproduzida no material.
Detalhes do vídeo publicado
A gravação, intitulada “O Nordeste que foi esquecido”, foi veiculada na plataforma na terça-feira (20) e trazia diálogos com habitantes de Mundo Novo, localizada no sertão da Bahia, a respeito de iniciativas do governo do PT na localidade. A produção utilizava a música como plano de fundo.
Embora a corporação tecnológica não tenha divulgado o autor da queixa, apurações indicam que o pedido partiu do cantor Rubel, um dos criadores da faixa “Grão de Areia”, gravada em parceria com Xande de Pilares.
Reações e acusações de censura
No período da manhã seguinte à veiculação, o parlamentar criticou o músico publicamente, chamando-o de “covarde” e sustentando que a supressão do som teria abafado o depoimento da população nordestina.
“A Sony foi acionada pelo Rubel pra derrubar o som. Ninguém mais pediu, só ele. Nem produtora, nem ninguém mais. O covarde achou que ninguém ia descobrir que foi ele que pediu na calada. No fim, um petista calou a voz dos nordestinos. Nada mais simbólico”, escreveu o deputado.
Para o parlamentar, a queda do conteúdo configurou uma tentativa de censura motivada por divergências ideológicas. A assessoria de imprensa da empresa de tecnologia confirmou que “o áudio da publicação foi indisponibilizado em razão de uma solicitação de direitos autorais sobre a música utilizada”. Por sua vez, o artista preferiu não se manifestar sobre o ocorrido.
Posição dos envolvidos e regras da plataforma
Questionado sobre o episódio, Xande de Pilares pontuou que, na condição de intérprete, não possui prerrogativa para liberar o emprego da obra em mídias digitais, cabendo tal liberação exclusivamente aos detentores dos direitos patrimoniais. Os demais compositores e a gravadora envolvida não se pronunciaram.
As normas da companhia determinam que a utilização de material alheio pode infringir leis de proteção intelectual mesmo se houver citação de autoria, ausência de fins lucrativos ou alterações na mídia original. A empresa tem o poder de apagar publicações sem aviso prévio caso receba denúncias válidas, embora ofereça mecanismos para que o autor da postagem recorra da sanção.
Fonte: G1 - Política