Justiça nega prisão de motorista que atropelou e matou tio de ministro
O Poder Judiciário paulista rejeitou, nesta terça-feira (20), o pedido de prisão preventiva contra Amilton Jusselino Rodrigues, apontado como responsável pelo atropelamento e morte de Carlos Boulos, de 80 anos, que era tio de Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Decisão judicial e medidas cautelares
Apesar de negar a detenção, o juiz Daniel de Medeiros Silva Corró aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e impôs sanções alternativas, incluindo a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Tanto a polícia quanto os promotores haviam requerido a prisão preventiva do investigado sob o argumento de fuga do local e necessidade de preservação da ordem pública. Contudo, o magistrado avaliou que os critérios legais para a medida extrema não estavam totalmente preenchidos na ocasião.
Além de ficar sem poder dirigir, o condutor terá de comparecer mensalmente em juízo e está proibido de mudar de residência ou se afastar do domicílio atual sem prévia autorização judicial. O magistrado concedeu o prazo de dez dias para que os advogados apresentem a resposta escrita à acusação e ordenou a realização de exames periciais e necroscópicos para elucidar os fatos. O condutor não foi preso em flagrante, tendo prestado depoimento e sido liberado após apresentar sua versão na delegacia.
Argumentos da defesa
Representantes legais de Amilton alegam que ele tentou ir embora da cena do ocorrido por receio de sofrer agressões e com o objetivo de assegurar a integridade física de sua esposa, de seu filho e dele próprio. A defesa argumenta que não houve dolo e que a tese é respaldada pelos relatos dos familiares que estavam no veículo.
“O caso ainda está sendo apurado e é precipitado afirmar, neste momento, que houve intenção de matar”, afirmou o advogado Natan Tolintino.
“Não houve intenção deliberada de atingir ou matar a vítima”, declarou o advogado.
Os defensores também destacam que a dinâmica do episódio deve ser comprovada por meio de laudos periciais, registros em vídeo e demais provas colhidas no inquérito. Segundo a equipe jurídica, o investigado segue à disposição das autoridades policiais e lamentou o falecimento, expressando pesar desde o início do quadro clínico da vítima.
Dinâmica do caso na Avenida 23 de Maio
Conforme dados levantados pelo 78º Distrito Policial (Jardins), o incidente aconteceu na noite de sábado (3), na Avenida 23 de Maio, região central da capital paulista. Carlos Boulos desceu de sua caminhonete em meio a um desentendimento de trânsito para tirar satisfação com o condutor do automóvel posicionado logo atrás.
A apuração inicial apontava que o motorista teria jogado o carro de propósito contra o idoso. Com o impacto da queda, a vítima bateu a cabeça e sofreu lesões severas, falecendo dias depois.
A cena foi gravada por uma testemunha que vinha logo atrás, o que facilitou a identificação da placa por meio do vídeo e dos relatos de outras duas pessoas presentes. O caso, inicialmente tratado como tentativa de homicídio, teve repercussão na Secretaria da Segurança Pública (SSP), que indicou a fuga inicial do condutor antes de sua apresentação espontânea para prestar esclarecimentos.
Fonte: G1 - Política