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Caderno Mercado

Cortes em auxílios sociais ameaçam economia de cidades do interior

Cortes em auxílios sociais ameaçam economia de cidades do interior

Uma pesquisa recente realizada pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), vinculado à Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), aponta que a estagnação ou cortes em repasses sociais e previdenciários podem provocar uma forte recessão econômica nas cidades do interior do país.

A importância dos repasses públicos nas regiões afastadas De acordo com o levantamento, aposentadorias, Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) respondem por quase metade do orçamento das famílias de baixa renda nessas localidades. Em aproximadamente 4 mil municípios fora das regiões metropolitanas, o peso dessas transferências financeiras é duas vezes maior do que nas grandes capitais. No Ceará, por exemplo, os recursos correspondem a 40% da renda agregada do interior, enquanto na região metropolitana o índice é de 22%.

O consumo local e a circulação de capital “Como o valor recebido por essas famílias é usado quase integralmente para a aquisição de itens de primeira necessidade, o dinheiro circula imediatamente no comércio local, garante empregos e mantém a arrecadação municipal ativa”, destaca a co-diretora do Made-USP, a economista Luiza Nassif.

Projeções e impactos regionais futuros O estudo simulou cenários econômicos para o horizonte de três anos e concluiu que, sem valorização real, a renda agregada do interior cairia entre 6,8% e 10,8%. Os estados do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí lideram os riscos, com quedas estimadas entre 17% e 18%. Na sequência aparecem Amazonas, Sergipe e Pernambuco, com perdas de 15%, e estados como Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia, com reduções de até 13%.

“Isso geraria uma reação em cadeia na atividade econômica que atinge inclusive as famílias que não dependem do socorro público”, avalia Nassif.

Efeitos diretos no combate à miséria As simulações apontam ainda que a ausência de ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025 teria empurrado cerca de 2,7 milhões de cidadãos para a linha da pobreza fora dos grandes centros, sendo 2,4 milhões na extrema pobreza. Bahia, São Paulo e Minas Gerais lideram em números absolutos de novos vulneráveis.

“Para quem vive no limite, qualquer reajuste abaixo da inflação empurra a família diretamente para a pobreza”, afirma Nassif. Segundo ela, para famílias com rendimento de até 1,5 salário mínimo per capita, os benefícios podem chegar a 50% do rendimento.

“Olhando para o impacto que a queda de renda provoca, fica nítido o estrago que uma trava no crescimento dos benefícios pode fazer nas economias locais”, observa Nassif. “Manter a valorização real da previdência, do BPC e dos programas de transferência de renda é a garantia mínima de dignidade para as famílias e de sobrevivência para o comércio local no Brasil profundo”, acrescenta.

Fonte: Agencia Brasil