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Caderno Mercado

Café mineiro quebra recorde com saca vendida por R$ 134 mil

Café mineiro quebra recorde com saca vendida por R$ 134 mil

Um lote de café cultivado no interior de Minas Gerais alcançou um patamar inédito no comércio global de cafés especiais, ultrapassando a marca de R$ 2.000 por quilo. A saca padrão de 60 quilos foi arrematada pela quantia de US$ 26.456, valor equivalente a cerca de R$ 134.581,67, estabelecendo a maior cotação já registrada por um produto brasileiro nas disputas promovidas pela Alliance for Coffee Excellence (ACE).

Negociação histórica no mercado asiático

A transação ocorreu durante a realização da SCAJ 2026 — World Specialty Coffee Conference and Exhibition, feira organizada pela Associação de Cafés Especiais do Japão, sediada em Tóquio. Na ocasião, os lotes foram adquiridos pela torrefadora e cafeteria japonesa Snow Beans Coffee.

O preço de fechamento atingiu US$ 200 por libra-peso, representando um salto de 40% em relação à marca máxima anterior do país, obtida em 2018. Naquele ano, o recorde nacional havia ficado em US$ 143 por libra-peso, totalizando US$ 18,9 mil pela saca (aproximadamente R$ 96,2 mil).

Origem e características sensoriais do grão

O lote recordista é proveniente da Fazenda Santuário Sul, propriedade localizada no município de Carmo de Minas, encravado nas montanhas da Serra da Mantiqueira. O microclima ameno de altitude favoreceu o desenvolvimento da variedade geisha natural, amplamente celebrada em competições internacionais.

De acordo com o cafeicultor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, o café apresenta um perfil sensorial floral com nuances distintas de mamão papaia e jasmim, resultando em uma bebida equilibrada, doce e refinada. O produtor ressalta que o resultado financeiro coroa meses contínuos de dedicação técnica na lavoura e no pós-colheita.

Tradição familiar e prestígio internacional

Embora pertença à quarta geração de cafeicultores de sua família, Pereira Filho direcionou os negócios para o nicho de grãos especiais a partir dos anos 2000, com o propósito de posicionar o café brasileiro entre os melhores do planeta.

“Eles [a família] sempre acreditaram que, realmente, o café era um produto sem fronteira”, afirma.

A propriedade já acumula premiações no Cup of Excellence, considerado a principal honraria do setor. A organização do certame é gerida pela ACE, aliança restrita a produtores de elite de apenas seis nações: Brasil, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

Para o produtor, o feito consolida a reputação das lavouras nacionais perante os compradores mais exigentes do globo: “Dividir essa vitória com o Brasil. Mostrar que a gente pode valorizar o nosso produto e, principalmente, que o mercado reconhece que o Brasil tem potencial de produzir os melhores cafés do mundo”, completa.

Fonte: G1 Economia