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Caderno Mercado

Flávio Bolsonaro na TV: checagem das falas no 2º turno de 2026

Flávio Bolsonaro na TV: checagem das falas no 2º turno de 2026

Em sabatina transmitida ao vivo nesta sexta-feira (16) como parte da cobertura do segundo turno das Eleições 2026, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) abordou temas centrais de sua campanha, incluindo dados fiscais, políticas sociais e controvérsias sobre o financiamento do longa-metragem “Dark horse”.

Financiamento e prestação de contas do filme ‘Dark horse’

Ao defender a transparência na produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro, o candidato declarou: “…a produtora do filme [‘Dark horse’, cinebiografia de Jair Bolsonaro] aqui no Brasil prestou contas de tudo.”

A afirmação não condiz com a realidade documental. Embora a empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go UP Entertainment, tenha entregue um laudo calculando o custo da obra em R$ 75,1 milhões — divididos entre despesas nacionais e internacionais —, a peça técnica carece de comprovações essenciais. O relatório não traz recibos, notas fiscais ou comprovantes de transferências que validem os R$ 61 milhões repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O próprio perito encarregado admitiu não ter consultado o Havengate, fundo sediado nos Estados Unidos apontado como o destino do dinheiro. O tema também é alvo de inquérito da Polícia Civil paulista para apurar se verbas de um contrato de R$ 108 milhões voltado à inclusão digital foram desviadas para a produção cultural.

Em outro momento, o parlamentar minimizou a natureza dos repasses: “Mais uma vez, eu vou esclarecer quantas vezes forem necessárias: eu estou falando de um pedido de patrocínio privado para um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República.”

O cenário, contudo, é mais complexo. Um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a condução do ministro André Mendonça, apura possíveis crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal investiga se os repasses de Vorcaro visavam obter favores políticos e se recursos teriam custeado despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior, remetidos por meio de operadores sob suspeita de fraudes financeiras.

Dívida pública e taxa básica de juros

No campo econômico, Flávio Bolsonaro acertou ao mencionar o endividamento do país: “Hoje a dívida do Brasil está em R$ 11 trilhões.”

De acordo com estatísticas divulgadas pelo Banco Central, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, patamar que equivale a 82,9% do PIB. O montante engloba obrigações da União, da Previdência Social e das esferas regionais.

Por outro lado, o candidato cometeu imprecisões ao comentar a evolução da política monetária: “Se você pegar o boletim Focus de outubro de 2022, a última eleição do presidente Jair Bolsonaro, a estimativa de taxa de juro era para estar, neste momento, em torno de 7%. Hoje, a taxa de juros está em 14%. São sete pontos percentuais a mais na taxa de juros.”

No momento da entrevista, a taxa básica de juros estava fixada em 13,75% ao ano pelo Copom, e não em 14%. Além disso, os relatórios Focus divulgados no fim de outubro de 2022 não continham estimativas para o ano de 2026, limitando-se ao horizonte até 2025. Projeções de mercado tampouco representam garantias ou índices oficiais estabelecidos por gestões passadas.

Histórico de aumentos do Bolsa Família

O postulante do PL também criticou a política de transferência de renda do atual governo: “Diferente do Lula, que esqueceu por quatro anos de quem recebe o Bolsa Família, não deu reajuste para ninguém. Faltando 17 dias da eleição, ele lembra que tem que reajustar o Bolsa Família, que foi o Bolsonaro que triplicou o valor, que era R$ 190, em média, e passou para R$ 600.”

O contexto da ampliação dos pagamentos envolve atuações distintas entre os poderes. O governo anterior foi responsável pela MP que garantiu o patamar inicial de R$ 400. Contudo, a parcela adicional que elevou o repasse a R$ 600 em 2022 decorreu da Emenda Constitucional 123, proposta e promulgada pelo Congresso Nacional com vigência restrita ao encerramento daquele exercício fiscal.

Já em 2026, a 17 dias do primeiro turno eleitoral, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social implementou uma correção de 15,04% no piso do Bolsa Família, subindo o benefício para R$ 691. Segundo o governo, a medida visou repor as perdas inflacionárias acumuladas pelo INPC desde o início da reestruturação do programa em 2023.

Fonte: G1 - Política