Escala 6×1 atinge quase 15 milhões de trabalhadores com carteira no país
O Brasil contava com 14,8 milhões de empregos formais baseados na escala 6×1 ao final de 2025, conforme levantamento elaborado pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, com base em estatísticas do Ministério do Trabalho e Emprego.
Impacto nos postos de trabalho formais O montante representava 29,9% do total de 49,5 milhões de vínculos formais registrados no período, indicando que cerca de três a cada dez postos de trabalho formais brasileiros podem passar por transformações com a extinção do modelo de seis dias de labor para um de descanso.
A proporção da escala 6×1 difere significativamente entre as diversas atividades econômicas, concentrando-se com maior intensidade no setor voltado ao turismo, onde ultrapassa a marca de 50% dos empregados formais no transporte aéreo e no alojamento.
Setores e tamanhos de empresas Empresas de pequeno e micro porte apresentavam proporções mais elevadas de vínculos nessa escala em comparação às companhias de médio e grande porte, embora o maior volume absoluto de trabalhadores estivesse concentrado nas organizações maiores.
“Os efeitos são complexos e heterogêneos. É difícil conseguir homogeneizar uma situação que é bem diferente entre os setores”, afirma Imaizumi.
“Transporte aéreo, por exemplo, é um setor bastante formalizado. Provavelmente, terá mais emprego para compensar as horas trabalhadas a menos e, consequentemente, repasse para os preços. É mais emprego e mais inflação”, acrescenta.
Mudanças na jornada semanal A PEC promulgada pelo Congresso Nacional estabelece a transição para o modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem impactos nos salários, acompanhada por uma redução gradual do limite máximo de horas semanais.
O teto de 44 horas semanais cairá inicialmente para 42 horas — com vigência iniciada sessenta dias após a promulgação —, e posteriormente para 40 horas após o período de um doze meses.
Contrato versus realidade nas horas trabalhadas A projeção dos reflexos da medida encontra complexidade na divergência existente entre as jornadas previstas contratualmente e o tempo efetivamente dedicado ao trabalho pelos profissionais no dia a dia.
Registros oficiais apontam que a maior parte dos empregados formais possuía contratos de 41 a 44 horas semanais, enquanto o volume efetivamente cumprido no período correspondia majoritariamente à faixa de 31 a 40 horas.
“A mensagem principal é a discrepância entre o que está no contrato e o que está sendo efetivamente trabalhado”, diz Imaizumi.
“Boa parte desses trabalhadores não trabalha, mesmo com o contrato, 44 horas. Então, os efeitos [do fim da 6×1] tendem a ser menores.”
Fonte: Folha - Mercado