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Caderno Mercado

Bolsas asiáticas desabam com inflação nos EUA e crise em inteligência artificial

Bolsas asiáticas desabam com inflação nos EUA e crise em inteligência artificial

As principais praças financeiras da Ásia registraram tombos expressivos na abertura dos negócios, refletindo diretamente o pessimismo vindo de Wall Street na véspera e o temor persistente em relação aos rumos da inflação nos Estados Unidos.

Impacto severo no setor de semicondutores

O cenário de instabilidade atingiu em cheio os mercados de tecnologia da região. Em Seul, o índice Kospi despencou 7,7%, arrastado por gigantes do setor de chips: a SK Hynix tombou quase 11% e a Samsung Electronics recuou 9,3%.

Outros papéis ligados à cadeia de inteligência artificial também sofreram na Coreia do Sul, a exemplo da Samsung Electro-Mechanics, que perdeu 15%, e da Hyosung Heavy Industries, com baixa de 13%. Já em Tóquio, o Nikkei 225 afundou 4,5%, pressionado pela queda de quase 10% da SoftBank e de 11% da Kioxia.

“As pessoas estão simplesmente um pouco em pânico neste momento”, disse Song Zhe, da BNP Paribas Asset Management.

Pressão inflacionária e desmonte de posições

A retração na economia americana ganhou força após a divulgação de dados que mostraram a inflação em 3,7% no mês de setembro, impulsionada pelo encarecimento dos combustíveis decorrente do conflito no Irã.

Hao Hong, diretor de investimentos do fundo de hedge Lotus Asset Management, apontou que o indicador elevado, aliado a resultados financeiros fracos da Anthropic, abalou a confiança global nas empresas focadas em inovação tecnológica.

O mercado chinês também não escapou do movimento vendedor. O índice CSI 300 recuou 1,8% ao menor patamar desde agosto de 2025, enquanto o Star 50 perdeu 2,4% e o Hang Seng, de Hong Kong, caiu quase 1%.

“Trata-se de um desmonte de posições, principalmente por parte de investidores institucionais na China, como seguradoras. Eles são obrigados a vender em um mercado em queda”, afirmou Song.

Correção após rali histórico

Apesar do tombo generalizado, analistas ponderam sobre a natureza do movimento na Coreia do Sul.

Chan Lee, da Petra Capital Management, em Seul, afirmou que a liquidação no mercado coreano parece ser motivada mais pela saída de capital estrangeiro “do que por uma mudança fundamental nas perspectivas de longo prazo para a IA”.

O movimento atual devolve parte expressiva de um ciclo de valorização sem precedentes que elevou o Kospi de menos de 2.300 pontos em abril de 2025 para mais de 9.300 em junho. Desde os patamares recordes, os papéis da SK Hynix acumulam desabamento de quase 58%, ao passo que os da Samsung Electronics registram baixa de 44%.

Fonte: Folha - Mercado