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Caderno Mercado

Starbucks aposta no Brasil e planeja dezenas de novas cafeterias até 2026

Starbucks aposta no Brasil e planeja dezenas de novas cafeterias até 2026

A rede de cafeterias Starbucks decidiu acelerar seus investimentos no mercado brasileiro e planeja inaugurar dezenas de novas unidades nos próximos anos, adotando uma postura totalmente oposta à enxugada que vem promovendo em seu território de origem.

Superação de crise e nova gestão

O avanço atual marca uma reviravolta após o período de forte estagnação vivido pela marca no país. Esse momento crítico foi desencadeado no final de 2023, quando a SouthRock, antiga operadora da rede em território nacional, entrou em recuperação judicial, resultando no fechamento temporário de diversos pontos de venda.

Posteriormente, a gestão passou para as mãos da Zamp, grupo que também comanda a operação do Burger King no Brasil. Após uma fase inicial focada apenas em ajustes estruturais, a nova administração retomou os aportes financeiros e engatou uma agenda constante de novidades no cardápio, com itens temáticos e parcerias comerciais.

Metas de expansão para o futuro

Embora o foco inicial tenha sido cauteloso, a retomada do crescimento físico começou a ganhar tração no segundo trimestre, resultando na abertura de 20 novas lojas desde então. Agora, a meta foi revisada para cima, com a previsão de encerrar 2026 com um total de 32 novas cafeterias inauguradas no país.

Atualmente, a marca possui 130 estabelecimentos espalhados por estados das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste, além do Distrito Federal. Embora a presença ainda esteja fortemente concentrada no Sudeste — com forte atuação em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte —, a empresa já estuda levar sua marca para novos mercados e localidades a partir de 2027.

Questionada pela Folha se a reestruturação da matriz pode impactar os planos de expansão no Brasil, a empresa informou que “a Starbucks administra seu portfólio de lojas considerando as dinâmicas e oportunidades específicas de cada mercado”.

A companhia acrescentou: “No Brasil, observamos um momento positivo, impulsionado pela expansão da presença da Starbucks e pela crescente conexão dos consumidores com a marca. O Brasil segue sendo um mercado estratégico para a Starbucks globalmente, com significativo potencial de crescimento”.

Sobre os planos futuros, o grupo destacou: “Após a retomada da expansão em Belo Horizonte e a continuidade do crescimento no Rio de Janeiro e em São Paulo, a Starbucks avalia oportunidades de expansão para novas cidades e regiões”.

Cenário internacional e plano global

Enquanto o Brasil celebra o crescimento, a matriz americana enfrenta um processo de reestruturação global comandado pelo CEO Brian Niccol, que assumiu o cargo em 2024 com o projeto batizado de “Back to Starbucks”. O objetivo é resgatar a essência original das cafeterias como locais de permanência e hospitalidade.

Como parte dessa estratégia de corte de custos — que mira uma economia de US$ 2 bilhões anuais até 2028 —, a companhia fechou centenas de estabelecimentos deficitários nos Estados Unidos, afetando cerca de 1% de suas 18 mil unidades locais. Apesar da pressão sobre os lucros e das demissões no exterior, o plano global tem mostrado resultados positivos, impulsionando as vendas e gerando valorização nas ações da empresa.

Fonte: Folha - Mercado