Setor produtivo critica votação da escala 6×1 e apoia modelo por horas
Entidades representativas dos setores de bares, restaurantes, supermercados e da indústria manifestaram forte oposição à votação da Proposta de Emenda à Constituição que visa eliminar a escala de trabalho 6×1. Na avaliação da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), a medida representa um “potencial desastre socioeconômico” e não deveria ser votada em dois turnos antes do segundo turno das eleições presidenciais.
Posição do setor produtivo
A mesma preocupação é compartilhada pela Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) e pela Abras (Associação Brasileira de Supermercados). As organizações sustentam que o novo Congresso nacional terá condições de avaliar e aprovar a PEC voltada ao pagamento por horas trabalhadas no ano de 2027.
Impactos econômicos projetados
Estudos encomendados pela indústria à Tendências Consultoria indicam que a transição para a jornada de 40 horas semanais pode gerar uma retração de até 2,9% no PIB brasileiro em cinco anos. Além disso, o levantamento projeta a eliminação ou migração para a informalidade de até 2 milhões de postos de trabalho.
Em nota oficial, a Abrasel reforçou seu posicionamento: “Abrasel, como todas as entidades empresariais e a sociedade conscientes dos custos dessa medida, que nós entendemos ser um potencial de desastre socioeconômico, acredita ainda que os senadores possam resolver essa questão nessa semana ou possam evitar que essa votação aconteça, ao menos em segundo turno, antes das eleições”.
Debate político e alternativas
O Senado Federal agendou a votação da proposta que extingue a escala 6×1 para uma quarta-feira, mobilizando diferentes correntes políticas. Enquanto o candidato Flávio Bolsonaro alterou seu posicionamento inicial e passou a apoiar a medida, o presidente da Abras, João Galassi, classificou a tramitação como “eleitoreira”.
“A verdade é que ele pegou esse projeto nosso lá… É um projeto que a gente construiu lá [no Congresso] e que é realmente um benefício muito grande, porque o banco de horas não traz nenhum benefício para o funcionário. Agora, se a hora extra for remunerada, isso é uma baita de um benefício”, declarou Galassi ao apontar a origem da proposta de pagamento por hora.
Testes e custos operacionais
Empresas do setor supermercadista que testaram modelos alternativos relatam aumento nos custos operacionais. Enquanto os testes trazem resultados favoráveis na percepção dos funcionários, os impactos financeiros variam de 17% a 20% para grandes redes, podendo alcançar até 30% em estabelecimentos de menor porte.
Por fim, as entidades reforçam que a negociação coletiva entre empregados e empregadores permanece como o caminho mais adequado para definir ajustes nas jornadas, ponderando que debates sobre o tema na véspera de eleições prejudicam a solidez democrática da discussão.
Fonte: Folha - Mercado