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Zelensky diz que Rússia mantém ataques à Ucrânia apesar de trégua

Zelensky diz que Rússia mantém ataques à Ucrânia apesar de trégua

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta segunda-feira (12) que a Rússia continuou atacando instalações de energia ucranianas mesmo depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um cessar-fogo entre os dois países para interromper bombardeios contra a infraestrutura energética.

Repercussão e anúncio do acordo O anúncio foi feito por Trump no domingo (11), em uma publicação nas redes sociais. Segundo o presidente americano, Rússia e Ucrânia haviam concordado em suspender imediatamente os ataques às instalações de energia uma da outra. Ele, no entanto, não apresentou detalhes sobre o suposto acordo. Nesta segunda, o Kremlin afirmou que os contatos sobre a proposta de cessar-fogo continuam em andamento e que divulgará informações oportunamente. O governo russo não confirmou a existência de um acordo e se recusou a esclarecer se a possível trégua se restringiria aos ataques contra refinarias de petróleo. Durante participação no Fórum de Segurança de Varsóvia, na Polônia, Zelensky disse que o governo ucraniano soube do anúncio de Trump pela imprensa e que não recebeu confirmação de Moscou sobre a suspensão dos ataques. O presidente afirmou que a Ucrânia está disposta a respeitar um cessar-fogo energético, desde que a Rússia faça o mesmo. “Apoiamos a proposta, mas não ouvi nenhuma aprovação por parte da Rússia”, declarou. Segundo Zelensky, após a publicação de Trump, forças russas atingiram uma usina de energia em Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, além de uma instalação de produção de gás e um posto de combustíveis. “Ficou claro que Putin não lê o Truth Social”, ironizou o presidente ucraniano, em referência à rede social usada por Trump para anunciar o suposto acordo. A Rússia ainda não apresentou uma resposta definitiva à proposta americana.

Ataques à infraestrutura energética continuam A suspensão dos ataques ao setor energético é um nos pontos discutidos nas negociações para tentar encerrar a guerra, iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022. Ao longo do conflito, a Rússia tem bombardeado instalações responsáveis pelo fornecimento de eletricidade, aquecimento e água na Ucrânia, prejudicando a população civil no inverno. A Ucrânia tem atacado refinarias de petróleo e outras instalações energéticas russas e Kiev reiterou estar disposta a interromper tais ações se Moscou fizer o mesmo. O líder ucraniano pediu que Trump pressione o governo de Vladimir Putin para o cumprimento da medida, apontando que a trégua seria um primeiro passo para o fim da guerra, embora mantenha a resposta militar se os bombardeios persistirem. Não é a primeira vez que Trump anuncia um entendimento do tipo sem que os ataques tenham cessado.

Ceticismo da União Europeia A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que ainda não há sinais de disposição russa para cumprir o cessar-fogo e defendeu que uma trégua deveria abranger também a proteção à população. O cenário ocorre em meio a atritos diplomáticos após o anúncio de um acordo entre Trump e Putin para a importação de diesel russo, visando conter preços nos EUA. A medida gerou críticas severas de parlamentares americanos e autoridades europeias devido ao financiamento indireto da máquina de guerra russa.

Vítimas civis e bombardeios noturnos Novos ataques deixaram três mortos e feridos na vila de Pisochyn, em Kharkiv, após um drone atingir áreas residenciais. Em Kiev, a queda de destroços também causou danos e ferimentos, enquanto defesas aéreas ucranianas e russas relataram intensa atividade de interceptação de drones e mísseis durante a madrugada.

Eleições e lei marcial As divergências sobre o futuro do país também envolvem cobranças por eleições presidenciais por parte de Washington. Zelensky respondeu que o pleito é inviável sob bombardeios diários, mas sinalizou que aceitaria viabilizar uma votação caso ocorra uma trégua completa de pelo menos 60 dias, o que permitiria debater as regras com o Parlamento em meio à lei marcial.

Fonte: Mundo