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Caderno Mercado

Google divide cidade na Índia com data center multibilionário

Google divide cidade na Índia com data center multibilionário

A cidade costeira de Visakhapatnam, situada no sudeste da Índia, tornou-se o centro de um intenso debate após ser escolhida para abrigar o maior centro de dados do Google fora dos Estados Unidos. O projeto, que conta com uma capacidade planejada de 1 gigawatt, recebeu total apoio do primeiro-ministro Narendra Modi devido aos planos de acelerar o desenvolvimento tecnológico do país na área de inteligência artificial.

Protestos e preocupações locais Apesar do aporte financeiro colossal, o clima entre os habitantes da região, também chamada de Vizag, é de forte oposição. Manifestantes utilizam lemas contundentes em protestos organizados, a exemplo de cartazes que exibem frases como “Dados não se bebem”.

Grupos ambientalistas e moradores exigem uma moratória na construção desse tipo de instalação enquanto aguardam avaliações independentes sobre os impactos sociais e ambientais. Há também desconfiança sobre a real geração de postos de trabalho.

“Os Estados Unidos têm um litoral imenso, poderiam tê-lo instalado lá”, afirma Gutta Rohith, do Fórum de Direitos Humanos, uma ONG local. “Por que estão vindo para cá?”, questiona.

Corrida tecnológica e impactos na terra A localização estratégica da cidade, que serve como ponto de entrada para cabos submarinos de internet vindos de Singapura, atraiu outros gigantes tecnológicos. O grupo americano Digital Realty, associado à Reliance Industries e à Brookfield, investe em outro complexo voltado para IA na mesma área.

No entanto, o avanço das obras afeta diretamente comunidades locais. No povoado de Tarluvada, moradores relatam frustração com a venda de terrenos e com os riscos iminentes ao abastecimento de água potável e à proximidade com reservas naturais.

“Quando olho para esta terra, tenho vontade de chorar”, diz Chandala Sadamma, agricultora de 50 anos, observando as escavadeiras no local onde cultivava mangas e castanhas de caju.

“Já sofremos com a escassez de água”, observa Gubbala Ramanamma, uma comerciante de 57 anos, diante de um poço seco. “E não sei como será quando o centro do Google estiver em operação.”

“Civilizações inteiras desapareceram por causa da escassez de água”, acrescenta E.A.S. Sarma, ex-funcionário público que exige que “uma agência independente realize uma auditoria completa” do impacto ambiental.

Promessas de sustentabilidade da empresa Diante das críticas, executivos da companhia americana pontuam que o projeto contará com um mecanismo avançado de refrigeração a ar, evitando o uso de água para resfriar os servidores.

“O investimento no centro de dados de IA é um compromisso para várias décadas”, o que implica “a obrigação de sermos bons vizinhos”, declarou à AFP Alexander Smith, chefe de infraestrutura e energia do Google para a região da Ásia-Pacífico.

“Isso significa que os recursos hídricos, a rede elétrica e as comunidades que vivem perto de nossas instalações devem se beneficiar de nossa presença”, afirmou.

“Quanto à água consumida para necessidades não relacionadas à refrigeração, o Google se compromete, até 2030, a repor 120% do volume utilizado em nossas operações”, acrescentou o executivo, garantindo ainda aportes em matrizes energéticas limpas.

Expectativa econômica e energética O Google estima que a estrutura injete cerca de US$ 688 milhões anualmente na economia regional, gerando 4.200 vagas de emprego durante o período de obras, com funcionamento previsto até 2028. O governo estadual de Andhra Pradesh projeta a criação de até 188 mil postos diretos e indiretos, planejando inclusive a construção de seis usinas nucleares para suprir a demanda energética da região.

Fonte: Folha - Mercado