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Caderno Mercado

A textura virou o novo sabor na indústria global de snacks

A textura virou o novo sabor na indústria global de snacks

A preferência dos consumidores nos corredores dos supermercados mudou drasticamente, transformando a textura no grande diferencial competitivo da indústria alimentícia atual. Gigantes do setor como a Mondelez e a Mars vêm apostando em inovações que misturam consistências variadas, a exemplo da barra de chocolate Dairy Milk com recheio de biscoitos Lotus Biscoff, dos Skittles Gummy Crystals e da versão mais crocante dos biscoitos Cheez-It.

A busca por sensações táteis e sonoras na alimentação Dados da empresa de pesquisa Mintel revelam que a parcela de snacks que destacam atributos de textura saltou de 31% em 2023 para 41% no ano passado. O termo “crocante” lidera as descrições mais buscadas, enquanto opções “mastigáveis” e “cremosas” também ganham relevância expressiva no mercado global.

Desafios tecnológicos na fabricação de alimentos Desenvolver produtos com múltiplas texturas exige um rigoroso trabalho de engenharia de alimentos para evitar problemas de umidade. Norberto Chaclin, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Mondelez, ressalta que misturar ingredientes crocantes e macios é complicado. A água migra dos componentes úmidos para os secos, deixando encharcado o que deveria ser crocante.

O impacto das redes sociais e dos emagrecedores Esse descompasso entre o interesse do público e a oferta nas prateleiras é alimentado pelo fenômeno do “crunchtok”, cujos vídeos focados em barulhos de mastigação acumularam mais de 1,5 bilhão de visualizações. Além disso, o avanço dos medicamentos emagrecedores à base de GLP-1 alterou a percepção de valor dos consumidores ao escolherem o que comer.

Para muitas pessoas, o ato de beliscar virou uma atividade automática durante a navegação na internet ou maratonas de séries, exigindo estímulos multissensoriais para justificar o consumo. Rimi Obra-Ratwatte, nutricionista da Mondelez, compara a procura por snacks ricos em textura ao desejo de assistir a um filme em 3D. “Tudo passou a girar em torno de intensificar uma experiência”, explica. Com o avanço tecnológico e a estagnação de novos sabores tradicionais, as fabricantes apostam nessa revolução tátil para manter o interesse do público a longo prazo.

Fonte: Folha - Mercado