Eleições 2026: os diferentes caminhos econômicos para Lula e Flávio
O segundo turno marcado para o dia 25 traz duas alternativas para o comando do país: a continuidade com a busca pela recondução do presidente Lula para um quarto mandato, ou a vitória da oposição liderada pelo senador Flávio Bolsonaro. Independentemente do vencedor, o próximo presidente precisará lidar com obstáculos econômicos e administrativos bastante particulares.
O dilema fiscal do atual governo
O cenário econômico apresenta um grave problema fiscal decorrente de decisões tomadas durante o terceiro mandato. A reindexação do Orçamento público — que envolveu a retomada da política de valorização do salário mínimo real e a vinculação dos pisos da saúde e da educação à receita corrente líquida — injetou R$ 520 bilhões em despesas no quadriênio.
Embora esse impulso fiscal não tenha desorganizado a economia de imediato, há claros sinais de desequilíbrio. A dívida pública continua em trajetória de alta, enquanto os juros elevados por um período prolongado geram forte desgaste, especialmente na classe C, além de provocar um aumento nas recuperações judiciais no setor agropecuário. Esse cenário econômico pode ajudar a justificar a queda no desempenho eleitoral do atual presidente nas cidades menores do interior, que dependem fortemente do agronegócio.
O desafio de conciliar contas e juros
Caso seja reeleito, o presidente Lula terá a missão de harmonizar as regras fiscais do governo Temer, baseadas no teto de gastos e na desindexação, com a sua própria diretriz de reindexação que vigorou até 2015.
O grande obstáculo para um quarto mandato será justamente conciliar essas duas visões para viabilizar uma convergência em direção a taxas de juros reais mais baixas.
O obstáculo institucional da oposição
Por outro lado, o candidato Flávio Bolsonaro enfrentará uma natureza distinta de desafios. Embora também precise ajustar a política fiscal, a posição atual de oposição permitiria culpar a gestão anterior e concentrar medidas impopulares no início do mandato para colher resultados econômicos positivos em 2030.
Contudo, o maior obstáculo para uma administração de direita seria institucional. Um governo alinhado ideologicamente com o Congresso Nacional encontraria facilidade para formar uma coalizão majoritária homogênea capaz de aprovar emendas constitucionais.
A gestão da base aliada
Para que isso funcione, o Executivo precisará negociar um plano comum de governo e realizar a partilha proporcional de ministérios e estatais com os partidos parceiros. Esse alinhamento poderia até mesmo reverter parte do poder orçamentário que migrou do Executivo para o Legislativo nas últimas décadas e evitar os erros do passado.
O modelo adotado anteriormente por Jair Bolsonaro recusou a gestão tradicional do presidencialismo multipartidário sob a justificativa de rejeição à chamada “velha política” e a preferência por governar por meio de bancadas temáticas, estratégia que acabou não funcionando. Se Flávio vencer, resta saber se houve aprendizado político com essa experiência anterior.
Fonte: Folha - Mercado