Lula perde espaço em municípios pequenos e Flávio avança no interior
O primeiro turno das eleições de 2026 revelou uma importante mudança no mapa político nacional, marcada pelo recuo do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas menores localidades e pelo avanço do adversário Flávio Bolsonaro (PL) no interior do país.
Concentração da perda de terreno
A retração na base de apoio do atual chefe do Executivo se manifesta de forma mais evidente em municípios com até 10 mil habitantes. Do total de 579 cidades que deixaram de registrar a liderança do petista entre 2022 e 2026, 365 se enquadram nessa faixa populacional, o que representa 63% das mudanças.
Entre as 2.466 cidades desse grupo, Lula vencia em 1.466 no pleito anterior e agora lidera em 1.101, configurando uma queda de quase 25%. A Região Sul concentra grande parte dessas perdas, com exemplos como Engenho Velho (RS), município de aproximadamente 1,3 mil moradores onde o índice recuou de 55,6% para 44,7% dos votos válidos.
Crescimento da oposição no interior
Em contrapartida, o campo oposicionista registrou expansão expressiva. Flávio Bolsonaro está à frente em 2.904 municípios, superando os 2.326 que apoiavam Jair Bolsonaro em 2022. O principal salto ocorreu exatamente nas localidades com até 10 mil habitantes, onde a quantidade de cidades lideradas subiu de 998 para 1.363.
Nas zonas de médio porte, com população entre 10 mil e 100 mil habitantes, o número de municípios sob liderança da oposição passou de 1.102 para 1.300. Neste mesmo segmento intermediário, Lula foi de 1.664 para 1.466 cidades lideradas, registrando uma baixa de 198 municípios, embora ainda conserve a dianteira na maioria deles.
Impacto nos grandes centros e ressalvas metodológicas
Nos centros urbanos com mais de 100 mil habitantes, a diminuição foi mais branda, com uma redução de 16 localidades, passando de 113 para 97 prefeituras sob domínio petista.
Os números refletem a contagem de municípios e não o volume absoluto de sufrágios, evidenciando as regiões de enfraquecimento político, mas sem mensurar a quantidade exata de eleitores perdidos em cada estrato. Além disso, o local de votação pode diferir do domicílio eleitoral do cidadão.
Fonte: G1 - Política