Desigualdade racial nas urnas revela contraste entre estados brasileiros
O primeiro turno das eleições brasileiras registrou um total de 531 candidatos pretos ou pardos eleitos, alcançando uma proporção de 29,9% entre os 1.774 vencedores apurados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O pleito contou com 10.224 registros de pessoas pretas ou pardas, o equivalente a 49,9% das 20.496 candidaturas apresentadas para os cargos de presidente, governador, senador, deputado federal, estadual e distrital, superando levemente o número de postulantes brancos, que somaram 9.974 inscrições.
Estados com maior e menor representatividade
Em números absolutos, a Bahia destacou-se no topo do ranking nacional ao eleger 58 candidatos pretos ou pardos, seguida por Minas Gerais com 38 e pelo Rio de Janeiro com 34 nomes vitoriosos.
Em contrapartida, Santa Catarina não elegeu nenhum candidato preto ou pardo, figurando entre os menores números absolutos ao lado de Alagoas, com cinco eleitos, e do Paraná, que registrou seis.
Distribuição por cargos e gênero
Os parlamentares e gestores pretos e pardos vitoriosos ocuparão diferentes postos nos poderes Executivo e Legislativo, incluindo cinco governadores, quatro vices, 15 senadores, 117 deputados federais, nove distritais, 213 estaduais e 39 suplentes.
No recorte de gênero, a vitória foi de 407 homens pretos ou pardos e 124 mulheres. Proporcionalmente, eles representam 28,9% do total de homens eleitos, enquanto elas alcançam 33,6% entre o total de mulheres vitoriosas.
Desempenho partidário e proporção regional
Entre as siglas partidárias, o PT liderou o total de eleitos pretos ou pardos com 83 nomes, seguido pelo PL com 73 e pelo União Brasil com 54. Por outro lado, legendas como DC, Democrata, Missão, Mobiliza e Rede não obtiveram êxito, apesar de terem lançado nomes com esse perfil.
Regionalmente, Amazonas (63,2%), Tocantins (57,9%) e Amapá (55%) registraram os maiores percentuais de diversidade racial entre os eleitos. Já na Região Sul concentram-se os menores índices proporcionais, liderados negativamente por Santa Catarina, seguido pelo Paraná (6,5%) e Rio Grande do Sul (7,4%).
Comparativo com a população geral
Os dados oficiais revelam ainda uma discrepância em relação à demografia nacional. Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população autodeclarada preta ou parda atinge 55,1% no Brasil, índice superior aos 29,9% de representantes com essas características que conquistaram mandatos no primeiro turno.
Fonte: G1 - Política