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Caderno Mercado

Gianni infantino segue sem opositores e perto da reeleição na fifa

Gianni infantino segue sem opositores e perto da reeleição na fifa

A apenas cinco meses do congresso eleitoral da Fifa, a Uefa e o seu presidente, Aleksander Ceferin, seguem sem encontrar um oponente para disputar o cargo com Gianni Infantino. Embora o dirigente ítalo-suíço esteja fragilizado por crises recentes, ele continua em plenas condições de garantir a sua permanência no comando do futebol mundial.

A busca frustrada por um candidato

A crise que motivou a movimentação europeia ocorreu logo após a Copa do Mundo, quando Infantino tentou viabilizar um projeto comercial voltado a investidores privados, chamado Fifa Forward Entreprise (FFE). A iniciativa fracassada convenceu a cúpula da Uefa de que era o momento oportuno para encerrar a gestão iniciada em 2016. No entanto, o principal obstáculo tem sido achar um nome capaz de unificar a oposição e derrotar o atual mandatário, chamado de “imperador” por Ceferin durante a Assembleia Geral da Associação Europeia de Clubes.

Apesar de articulações nos bastidores envolvendo federações da Europa, da América do Norte, América Central, Caribe e Ásia, nenhum nome de peso despontou até o momento. O prazo limite para a oficialização das candidaturas se encerra em 18 de novembro, o que torna a situação ainda mais urgente para os opositores.

O obstáculo geográfico e os nomes cotados

Estrategistas avaliaram que o concorrente não poderia ser europeu para evitar a percepção de que a riquíssima Uefa estaria tomando o controle total da federação internacional.

“Um europeu não teria nenhuma chance”, confirmou uma fonte próxima às instâncias mundiais.

Essa restrição pesou para que Aleksander Ceferin descartasse uma candidatura própria, especialmente enquanto lida com pressões para buscar a reeleição na Europa. A alternativa seria apoiar o canadense Victor Montagliani, presidente da Concacaf, visto com bons olhos pelos aliados europeus.

“É o nosso candidato ideal. Preenche todos os requisitos. Não é europeu e pode atrair bastante gente. Fez muito pelo desenvolvimento do futebol, sobretudo o feminino”, explicou uma fonte próxima à Uefa.

Apesar disso, Montagliani ainda não oficializou sua candidatura e estuda tentar um novo mandato na Concacaf em 2027. Outras alternativas também esfriaram. O presidente do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaïfi, descartou qualquer envolvimento, afirmando publicamente que não tinha “nenhum interesse na Fifa”, além de contar com o respaldo do Catar a Infantino. A hipótese de lançar o bareinita Salman bin-Ebrahim al-Khalifa também foi descartada pelos articuladores.

“Ele já foi derrotado em 2016, não tem nenhuma chance”, avaliou a fonte próxima à Uefa.

Diante do cenário de isolamento dos opositores, fontes internas admitem a vitória iminente do atual presidente.

“De qualquer forma, Infantino será eleito”, prevê uma fonte próxima às instâncias mundiais.

“A ideia é, na verdade, mudar a governança para que Infantino tenha cada vez menos poder. Caso contrário, estaremos todos mortos”, acrescentou a fonte.

A estratégia judicial da Uefa

Tentando se antecipar ao congresso eletivo marcado para 18 de março de 2027, em Rabat, a Uefa passou a apostar em pressões políticas e jurídicas. Em setembro, Infantino tentou apaziguar os ânimos ao propor uma consulta para reformar a governança da Fifa e prometer uma distribuição financeira mais ampla às federações nacionais.

Ainda assim, a oposição europeia não descarta reviravoltas baseadas em precedentes históricos, comparando o cenário atual com a queda do ex-presidente Sepp Blatter.

“Lembrem-se do que aconteceu com Sepp Blatter. Ele havia sido reeleito, em 2015, e caiu poucos dias depois. E por causa de uma questão judicial”, afirmou uma fonte próxima à entidade europeia.

Como parte dessa estratégia, a Uefa acionou a Justiça da Flórida para exigir documentos de filiais norte-americanas da Fifa referentes ao projeto FFE. O objetivo é embasar um processo por “gestão desleal” contra Infantino na Justiça suíça.

“Não será por meio das autoridades esportivas que isso será resolvido e que ele cairá. Acredito que, se a Uefa quiser derrubar Infantino, será por meio da Justiça”, previu, em agosto, o ex-chefe do futebol europeu Michel Platini.

Fonte: Folha Esportes