A trajetória política e as propostas eleitorais de Flávio Bolsonaro revelam um alinhamento cada vez mais explícito com os Estados Unidos, tendo a figura do republicano Donald Trump como elemento central de sua estratégia. O movimento dá continuidade aos laços cultivados pelo clã bolsonarista desde antes de 2018, consolidando uma relação em que temas de soberania, economia e segurança interna passam pela chancela de Washington.
Pedidos de intervenção e acenos na segurança
A busca por suporte norte-americano já se manifestou de maneira direta em questões de segurança pública. Após acompanhar imagens divulgadas pelo governo dos EUA sobre a destruição de uma embarcação suspeita no Caribe, o senador sugeriu publicamente a realização de ações parecidas em território fluminense.
Na ocasião, ele manifestou entusiasmo pela medida e fez um apelo público ao mandatário americano: “Ouvi dizer que há barcos como este aqui na baía de Guanabara. Vocês não gostariam de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”.
A postura externa corre em paralelo com acenos religiosos no plano doméstico. Ao justificar a promessa de “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo” caso chegue ao Executivo, a equipe da campanha alegou que a frase possui caráter apenas simbólico, resumindo-se a uma oração no dia da posse.
Articulação internacional e pressão por sanções
O apoio mútuo entre a família Bolsonaro e o líder norte-americano ganhou novo fôlego com o retorno do republicano ao poder, momento em que o grupo passou a enxergar a liderança dos Estados Unidos como uma alavanca para conter os desdobramentos judiciais enfrentados por Jair Bolsonaro após os episódios de tentativa de golpe de Estado.
Nesse cenário, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, radicado nos EUA, desempenhou papel ativo na articulação de medidas restritivas e celebrou a imposição de barreiras tarifárias ao comércio brasileiro: “Obrigado, presidente Trump. Faça o Brasil livre novamente. Queremos Magnitsky”.
Entretanto, a imposição das tarifas permitiu ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva capitalizar politicamente o discurso de defesa da soberania nacional. Diante desse quadro desfavorável, Flávio tentou recalcular a rota ao apresentar pesquisas eleitorais a interlocutores norte-americanos para ilustrar os ganhos obtidos por seus adversários políticos.
Minerais estratégicos e o modelo diplomático
Apesar dos atritos decorrentes das tarifas, o diálogo direto com a ala trumpista continuou a ditar os passos de Flávio. Em viagem recente aos EUA, o parlamentar apresentou as reservas brasileiras de terras raras como “a solução” viável para reduzir a dependência industrial do mercado americano em relação à China.
Além da agenda mineral, o senador replicou pautas frequentes da direita norte-americana ao levantar questionamentos sobre as urnas eletrônicas brasileiras, mencionando a empresa Smartmatic e supostas fraudes na Venezuela. No plano institucional, as diretrizes desenhadas para conduzir o Itamaraty em uma eventual gestão bolsonarista miram os parâmetros adotados pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reafirmando a subordinação ideológica e programática à Casa Branca.
Fonte: Política - Folha




