O empresariado nacional estaria disposto a ignorar ameaças às instituições e aos valores democráticos para se aproximar da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), segundo avaliação publicada por João Moreira Salles, fundador da revista piauí.
Motivações do setor econômico
Movidos por expectativas em torno da situação fiscal do país e pela busca de uma pauta econômica mais favorável aos próprios interesses, banqueiros, investidores e empresários estariam estreitando laços com o senador, apesar de conhecerem o histórico político da família do candidato.
“Como se restaura um mundo em que se aceita a existência de um torturador? Como um regime de exceção ressurge como alternativa política? Como se começa a minar uma democracia? Como se prepara um país para o retorno dos tiranos?”, escreve o autor.
Lista de executivos citados
O artigo aponta que o objetivo dessa parcela da elite econômica não é destruir a democracia, mas optar por ignorar seus riscos, mencionando diversos líderes empresariais e executivos de destaque no país.
“Ao como, então, vale a pena acrescentar o quem. Flávio Rocha (varejo de moda). Marcelo Kayath (mercado financeiro). André Esteves (banco de investimentos). Eduardo Bartolomeo (mineração). Eduardo Fischer (publicidade). David Feffer (papel e celulose). Roberto Campos Neto (mercado financeiro). Fernando Marques (indústria farmacêutica). Rubens Ometto (energia e infraestrutura). Emmanuel Hermann (mercado financeiro). Paulo Skaf (indústria). Luiz Carlos Trabuco (setor bancário). Fábio Barbosa (gestão empresarial e finanças). Alexandre Ostrowiecki (eletrônicos). Mario Araripe (energia renovável). Milton Maluhy Filho (setor bancário). Helio Seibel (madeira e materiais de construção). Christian Egan (mercado de capitais). Roberto Dagnoni (criptomoedas). Pedro Parente (energia e infraestrutura). Daniel Goldberg (investimentos). Fábio Ermírio de Moraes (indústria e investimentos). Fabio Carvalho (varejo e mídia). Richard Gerdau (siderurgia). Gilson Finkelsztain (setor bancário). José Galló (varejo). Fernando Simões (logística e infraestrutura). João Camargo (articulação empresarial).”
Histórico e valores em debate
O texto resgata episódios do passado, como a homenagem prestada por Jair Bolsonaro a um reconhecido torturador durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, ato que nunca foi repudiado por seu filho.
“O problema, aqui, parece ser de ordem de valores: do que se admite negociar e daquilo que não se negocia. Existem determinados absolutos que não admitem acomodação. A tortura certamente é um deles.”
Apesar de reconhecer os desafios fiscais do governo atual e as críticas legítimas do mercado financeiro, a publicação argumenta que crises econômicas são reversíveis, ao passo que danos institucionais provocados por rupturas democráticas deixam marcas permanentes.
“Nada disso significa uma adesão ao atual presidente”, diz Salles, mas “a eleição brasileira de 2026 pôs diante do eleitor alternativas que, a meu ver, jamais foram equivalentes”.
Fonte: Política – Folha













