Setor de telecomunicações mira sustentabilidade


Ecorating, da Vivo, mede o impacto ambiental de todo o processo de produção, uso e descarte do celular (crédito: divulgação)

Os temas meio ambiente e sustentabilidade estão ganhando força entre as marcas, seja por conta da preocupação com a saudabilidade do planeta, seja pelos impactos negativos e positivos gerados em seus negócios. Os consumidores já priorizam produtos e serviços com atributos que não comprometem os recursos de futuras gerações, os investidores ponderam o desempenho socioambiental frente aos resultados financeiros e a sociedade não está mais disposta a obter um desenvolvimento econômico a qualquer custo. Nesse contexto, telecomunicações tem sido um dos setores atentos a questões relacionadas ao meio ambiente e sustentabilidade.

Segundo Joanes Ribas, executiva de sustentabilidade da Vivo, há uma tendência forte e consistente dos clientes serem promotores de marcas que compartilham valores em comum e possuem propósito maior do que lucratividade. “Esse perfil e expectativas são mais presentes nas gerações mais recentes, porém, tem influenciado o mercado como um todo”, diz. Para a profissional, isso tem ocorrido por motivos como: clientes conscientes acerca de suas responsabilidades com a preservação do planeta e preocupados em usarem o poder de compra para fortalecer negócios comprometidos com o desenvolvimento sustentável.

A primeira medida a ser tomada pelas grandes marcas que desejam estreitar relacionamento com o meio ambiente, afirma Bernardo Scudiere, diretor de energia da Oi, é entender o real impacto do negócio, produtos e serviços. “Só depois disso, pode-se construir uma estratégia eficiente, usando ferramentas como avaliação de riscos ou análise do ciclo de vida do que é oferecido pela empresa aos clientes”, clarifica. Além disso, o profissional aponta a relevância de estabelecer uma comunicação transparente, objetiva e clara com os seus stakeholders, abordando os impactos positivos e negativos do negócio. A Joane, ainda, complementa: “Gestão preventiva, princípio de preocupação e adoção de compromisso voluntário também podem ajudar marcas a acertarem no relacionamento com o meio ambiente”.

O florescer das teles


Em relação às iniciativas que reduzem e compensam o impacto no meio ambiente, a Vivo conta com o selo Ecorating, uma avaliação que mede o impacto ambiental de todo o processo de produção, uso e descarte do celular. A classificação, feita com base em cem critérios que analisam aspectos sociais e ambientais, vai de um a cinco — sendo um a menor pontuação e cinco, a maior. Cerca de 73% dos aparelhos vendidos em lojas da tele já levam o selo. Além disso, possui o programa Recicle com a Vivo, responsável por fornecer aos clientes e não clientes a coleta e destinação adequada de celulares, carregadores e baterias, que estão sem uso. A iniciativa recolheu quase 4 milhões de itens. A Vivo também é dona do programa Vivo Renova, que permite clientes adquirirem com desconto um dispositivo em bom estado, ao entregarem um aparelho usado. Em 2018, foram recolhidas 12,9 toneladas aparelhos, o equivalente a 84,2 mil itens.

Para a executiva de sustentabilidade da Vivo, a marca que dialoga de forma relevante com as pessoas, não apensas como clientes e colaboradores, mas também como cidadãos, é capaz de criar vínculos fortes e duradouros, que beneficiam a sociedade e o planeta. “Nossa maior preocupação é atuar de forma consistente para evitar e mitigar os riscos inerentes da nossa atividade, como consumo de energia, emissão de gases de efeito estuda e gerenciamento de resíduos eletroeletrônicos. Posteriormente, desejamos ampliar os impactos positivos desses produtos e serviços para contribuir para que nossos clientes e toda a sociedade também reduzam sua pegada ambiental”, explica.

A Oi, por sua vez, entrou para o universo das marcas que se preocupam com o meio ambiente com iniciativas de reciclagem e implementação da coleta de aparelhos, baterias e acessórios nas lojas da companhia. Ademais, a empresa tem um programa de energia, que diversifica a matriz de consumo da empresa com fontes renováveis. Para Bernardo Scudiere, diretor de energia da tele, “a preocupação da Oi com o meio ambiente demonstra a responsabilidade da empresa com o planeta assegura perenidade aos seus negócios, atrai investimentos, facilita a captação de recursos para novos negócios, permite o processo de compliance com órgãos reguladores, promove boa reputação e imagem a organização e atrai e retém talentos que se identificam com essas questões”. De uma maneira geral, essa atenção ao tema, fala, contribui para o posicionamento da tele junto aos stakeholders.

Bykers entregam chips da Nextel (crédito: divulgação)

Em 2018, a área de logística da Nextel assumiu a missão de encantar o cliente no momento da entrega do chip. O projeto objetiva levar, em até quatro horas, o cartão SIM para o consumidor. “Para conseguir atingir esse tempo, a Nextel lançou um desafio para diversas startups e abriu suas portas a fim de ouvir aquelas com planos mais bem-desenvolvidos. Entre diversas empresas de entrega com motoboys, destacou-se uma que não só garantia a entrega dos chip em até quatro horas, como o fazia com bykers”, conta Alexandre Rey, gerente de logística da companhia no Brasil. Hoje, sete entregadores com bicicleta fazem essa atividade, que em média durava sete dias, em São Paulo. Cada byker, fala Alexandre, pedala, aproximadamente, 60 quilômetros, o que poupa 7.62 quilos de dióxido de carbono (CO2).

Daniely Gomiero, vice-presidente de projetos do Instituto NET Claro Embratel, conta que os objetivos de desenvolvimento sustentável, da Organização das Nações Unidas (ONU), incentivam que as empresas, até 2030, a atingirem 17 metas, que integram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: econômica, social e ambiental. “Na Claro, valorizamos relações sustentáveis com clientes, colaboradores e demais públicos”, fala. Por meio do Instituto Claro, por exemplo, a tele busca conectar pessoas para um futuro melhor, por meio de investimento em projetos de educação e cidadania.

Claro Recicla valoriza o descarte consciente de componentes dos aparelhos (crédito: reprodução)

A Claro, ainda, conta com o Claro Recicla. Criado em 2008, o projeto baseia-se em um sistema de logística para descarte consciente dos componentes dos aparelhos, que são recolhidos nas lojas da operadoras de todo o Brasil. Já Carlos Souza, diretor de Serviços técnicos da Claro, aponta que tele faz atendimentos técnicos com bicicletas elétricas, desde 2016. O serviço fez com que o tempo de atendimento fosse reduzido em um terço, já que as bikes se locomovem sem influência do trânsito intenso. “A prática evita o sedentarismo e traz melhorias para a saúde dos técnicos. E, a utilização dessas bicicletas promove a diminuição de CO2, uma vez que reduz a quantidade de automóveis em circulação”, adiciona. Além disso, possui o programa Energia da Claro, fala Hamilton Pereira da Silva, diretor de suporte financeiro ao negócio da tele. A iniciativa consolida projetos com geração renovável de energia e práticas de consumo responsável. “O projeto engloba ações como a de mobilidade elétrica, captação de água da chuva, substituição de todas as lâmpadas convencionais por led e troca do gás de ar-condicionado pelo ecológico”, diz.

Já a TIM incentiva o uso do Waze Carpool, serviço de caronas da Waze, entre os colaboradores. Em sete meses de parceria com o aplicativo, a tele saltou de 826 caronas por mês, em fevereiro, para 10.900, em agosto. Segundo a operadora, os funcionários já percorreram mais de 1.022 milhão de quilômetros, o que equivale a quase 26 voltas na Terra e a economia de 150 toneladas de CO2. Em pesquisa realizada com funcionários da TIM, 26% dos entrevistados que passaram a pegar carona deixaram de usar seus carros como principal meio de locomoção para o trabalho ao compartilhar o trajeto com outros colaboradores, alcançando um média de três pessoas por carro.

 

Fonte: meio&mensagem

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