Rádio com imagens. O rádio é a antiga TV ou a TV é a velha rádio?


Os programas de rádio nos acostumaram a imaginar quem era o dono daquela voz e nos ensinaram a viajar nas histórias das novelas e nas peripécias de quem esteva na contrarregra. Eram apenas o som e a nossa imaginação. Cada um criava seu próprio mundo em preto e branco. Cada cidade tinha seu próprio Orson Welles. Foi assim durante anos, e talvez assim seja, em alguns lugares do mundo, durante muito tempo.
Mas os anos passam e o mundo muda. Sabemos nós que é inevitável. Havia os sites que publicavam fotos das festas da noite anterior, e ali as pessoas se viam e encomendavam fotos impressas. Aquilo, que era o Instagram da época, começou a morrer quando surgiram os celulares com câmera e as redes sociais. Agora, cada um criava seu próprio mundo em colorido.
Mas as redes sociais evoluíram. Surgiram os vídeos, os stories e as lives. Se antes estávamos todos conectados, agora estamos todos ao vivo. Vídeos e mais vídeos inundam os perfis dos mais desconhecidos até os ultrafamosos. Um verdadeiro “Show de Truman” vem sendo criado. Nossa vida, nossa privacidade, nossa imagem…Tudo ao vivo!
E assim, o rádio precisou evoluir. As FM´s começaram a engolir as AM´s, os equipamentos se modernizaram, as emissoras foram criando novos programas, novos conceitos. O formato mais “duro” deu lugar ao “informal”. Passamos a poder errar ao vivo.
As imagens ao vivo chegaram ao rádio. As transmissões começaram modestas com apenas uma câmera, lá no alto, no canto do estúdio. Geralmente uma reprodução de algum sistema de segurança com o áudio ambiente adicionado. Era simples, sem definição, mas os sites exibiam uma imagem que dizia “Clique para ver o nosso estúdio”. O rádio ganhava imagem.
Algumas emissoras reformaram seus estúdios e incluíram câmeras modernas e com alta definição. O áudio passou a vir direto da mesa de som, com qualidade e sincronia. Câmeras sem operadores, fixas, focando cada personagem daquele programa. Apresentador, entrevistado, comentaristas etc. O rádio ganha rostos.
As transmissões de jogos de futebol passam, então, a ser transmitidas pelo Youtube, com a câmera voltada para o narrador e comentarista. O ouvinte acompanha seu jogo ao mesmo tempo que, em tempo real, vê as reações dos radialistas. O rádio ganha mais envolvimento.
Agora, os programas de rádio têm câmeras e são transmitidos ao vivo pelas mais diversas plataformas. Os comentários são lidos em tempo real. Há hashtags, curtidas, sorrisos e abraços. O rádio ganha mais interação.
Os apresentadores agora são vistos e ouvidos, precisam dirigir-se aos telespectadores, aos ouvintes e aos seguidores. Suas imagens vão para todas as telas. Seus ouvintes estão mais perto. O rádio ganha mais reciprocidade.
Agora, não há mais a imaginação que constrói o rosto da voz e sim a imaginação que constrói um conteúdo. E não há mais desculpas para o cabelo despenteado. Todos passam a ser conhecidos, o rádio ganha audiência e protagonismo. E se você não quiser conhecer o locutor, não faz mal, basta minimizar a janela, a gente não liga, afinal, Lombardi foi a voz mais famosa do Brasil, era da TV, mas quase ninguém conheceu seu rosto.

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