Expectativas para a economia brasileira em 2017


Dilson M. Barreto
Economista

Os primeiros resultados obtidos pelos órgãos especializados em pesquisa econômica estão a indicar que, mesmo de forma singela, a economia brasileira terá algum crescimento, isto indicando que o país, com suor e sangue, conseguiu sair do fundo do poço, sendo reduzido os ricos de uma reversão do processo. Daí que o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas já consegue enxergar um crescimento do PIB de 0,1% neste mês de janeiro. Segundo as análises desse Instituto, cinco resultados positivos sinalizam as expectativas desse provável crescimento: a) queda da inflação; b) queda progressiva da taxa de juros; c) atividade industrial sinalizando possibilidade de crescimento; d) safra agrícola robusta e cujo escoamento permitirá impulsionar a indústria e os serviços; e) finalmente aparece também como motivo de otimismo, o esperado efeito sobre o consumo das famílias da possível liberação dos recursos originários das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), no valor aproximado de R$ 30,0 bilhões.

Este movimento positivo de expectativas é fruto dos primeiros resultados apurados pelo IBRE/FGV, quando da realização de sua Sondagem Conjuntural atinente ao mês de janeiro do corrente ano, a seguir relatada de forma sumária.

1 – SONDAGEM DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO: O Índice de Confiança da indústria subiu 4,3 pontos, maior nível desde 2014, resultado este observado em 15 dos 19 segmentos pesquisados. No mês de dezembro passado esse índice teve uma queda de 1,6 pontos. Segundo o Superintendente de Estatísticas Públicas do IBRE Aloísio Campelo “O setor parece estar reagindo a uma combinação de aceleração da produção do final do ano e do ritmo de queda dos juros a partir de janeiro”. Coroando esse dado positivo merece destaque a elevação do nível de utilização da capacidade instalada do setor que atingiu 74,6% em janeiro, 1,7 ponto percentual acima do mês passado.

2 – SONDAGEM DO COMÉRCIO: Para este setor de atividade econômica, seu Índice de Confiança subiu 0,6 pontos em janeiro, passando de 78,3 para 78,9 pontos. Mesmo sendo considerada uma expansão singela, tal valor representa maior nível desde outubro passado. Para Aloísio Campelo, “Após alcançar 10 pontos entre fevereiro e agosto do ano passado, a confiança do Comércio estabilizou-se na faixa entre 78 e 80 pontos nos últimos seis meses. O segmento parece incomodar-se pouco com a incerteza do ambiente político e se preocupa bastante com o custo e a disponibilidade de crédito para o consumo. É possível que a aceleração da queda dos juros sinalizada em janeiro pelo BC colabore para que a confiança do comércio – ainda muito baixa em termos históricos – volte a registrar ganhos nos próximos meses”. A queda da inflação, refletindo diretamente no aumento do poder aquisitivo das famílias aliado à liberação de recursos das contas inativas do FGTS, representam também sinalizadore de expectativas favoráveis.

3 –SONDAGEM DA CONSTRUÇÃO CIVIL: O Índice de Confiança da Construção Civil em dezembro de 2016 registrou uma queda de 0,9 pontos, subindo agora em janeiro 2,5 pontos, atingindo a casa dos 74,5 pontos. Tal melhoria das expectativas sinalizada por esse indicador associada a uma percepção menos negativa da situação atual, conforme explica Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do IBRE/FGV, “contribui para que a confiança da construção registrasse em janeiro a maior alta mensal da série”. Todavia, segundo a Coordenadora, “ainda não é possível apontar o fim do ciclo recessivo no setor pois o aumento da confiança continua ampliando muito mais nas expectativas do que na melhora de fato dos negócios”, isto sendo identificado em decorrência da carteira de contratos das empresas continuar apresentando um patamar muito baixo. O índice de utilização da capacidade da Construção Civil é de apenas 63,8%. No que diz respeito ao emprego neste setor de atividade econômica, a pesquisa do IBRE/FGV revela que entre dezembro e janeiro a proporção de empresas prevendo reduzir o quadro de pessoal caiu de 41,4% para 32,4%, enquanto o contingente das que planejavam contratar elevou-se de 10,2% para 14,0%, tais resultados indicando uma provável desaceleração no ritmo das demissões.

4 – SONDAGEM DO SETOR SERVIÇOS: No caso do Setor Serviços, o seu Índice de Confiança subiu 4,1 pontos neste mês de janeiro, deixando para trás o crescimento negativo de 1,5 pontos observado em dezembro passado. Para Sílvio Sales, Consultor do IBRE/FGV, “A melhora na percepção do setor sobre as condições de negócios, tanto em relação a fatores atuais quanto em sua visão sobre as expectativas é um aspecto favorável,” tal fato indicando uma possível redução do pessimismo das empresas, podendo “sinalizar o início de reação no ânimo empresarial em resposta a um contexto de inflação em queda e de perspectivas de melhoria nas condições do crédito”, comprovada pelo fato de que das 13 atividades pesquisadas, 11 apresentaram alta confiança em janeiro.

5 – CONFIANÇA DO CONSUMIDOR: O Índice de Confiança do Consumidor em janeiro do ano em curso subiu 6,2 pontos, compensando assim a queda de 4,8 pontos observada em dezembro de 2016. Conforme analisa a Coordenadora de Sondagem do Consumidor do IBRE/FGV Viviane Seda Bittencourt, “A alta confiança em janeiro está relacionada às expectativas de melhora do ambiente econômico com a questão da inflação e a aceleração do movimento da redução da taxa de juros prevista no curto prazo. Embora os níveis de incerteza ainda sejam altos e as perspectivas do mercado de trabalho continuem ruins neste primeiro semestre, as boas notícias de virada de ano aumentou as chances de uma recuperação da confiança (ou, por enquanto, alívio da desconfiança) nos próximos meses”. Tais números deixam evidentes a existência de uma perspectiva menos negativa em relação ao futuro.

Mesmo que os números acima apresentados correspondam ao primeiro mês de 2017, pouco receptivo ainda aos efeitos das medidas de política econômica do atual governo, é recomendável certa cautela, isto porque a economia brasileira ainda está vulnerável aos efeitos políticos e econômicos internos e externos, o que não garante uma afirmativa concreta de que toda a tempestade já foi superada. Cabe aguardar os movimentos dos agentes do mercado nos próximos três meses, pelo menos, para se ter uma certeza de que o barco da economia não está mais à deriva, encontrando seu rumo em mares plenamente navegáveis. É uma questão de paciência.

 

 

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