Cancelamentos de séries incomodam usuários da Netflix


Após The Get Down e Sense8, plataforma não renova a segunda temporada de Girlboss; apesar de habituais, interrupções são recebidas com críticas

A não renovação da série Girlboss pela Netflix, um mês após o cancelamento de The Get Down e semanas depois da oficialização do fim de Sense8, vem gerando algumas pressões para a plataforma por parte de assinantes. No último fim de semana, após Sophia Amoruso, empresária que foi inspiração para Girlboss, publicar a informação do fim da série em seu Instagram, vários usuários passaram a ironizar a empresa nas redes sociais.

À época do cancelamento de Sense8, interrupção de série que mais mobilizou internautas, Roberto Malerva, um dos produtores da segunda temporada, disse que a série possuia um custo alto e uma produção complexa já que inclui 16 cidades diferentes. A estimativa é que o custo de um episódio de Sense8 chegue a US$ 9 milhões contra US$ 4 milhões por episódio de House of Cards, que está em sua quinta temporada. O cancelamento gerou até mesmo petições em prol da volta de Sense8.

No início de junho, Reed Hastings, CEO da Netflix, em entrevista à CNBC, afirmou que a empresa não hesitaria caso fosse necessário cancelar algumas séries. “Nossa taxa de sucesso está muito alta agora. Então nós cancelamos poucas séries. Eu sempre falo para a equipe de conteúdo que precisamos nos arriscar mais, nós temos de tentar mais coisas loucas. Nós deveríamos ter uma taxa de cancelamentos mais alta”, disse Hastings. Procurada, a Netflix não comentou o assunto.

O investimento em produção original virou uma marca da Netflix. A estimativa é de que a empresa produza em 2017 mais conteúdo original do que produziu em 2016 com um investimento total de US$ 6 bilhões. No período de 2012 a 2016, foram 222 lançamentos de produções originais. O ritmo de produção da plataforma acabou gerando um efeito nos próprios usuários que estão com dificuldade de aceitar os cancelamentos de séries.

Na visão de João Paulo Rego, professor especialista em marketing digital da FGV, a empresa já não havia renovado Marco Polo e Bloodline, mas ainda não havia sentido a repercussão. “Pode soar estranho para muitos, porém, no entendimento do seu fundador em entrevistas, o processo de acerto passa por fracassos, e, consequentemente, o risco. Não só o financeiro, mas também o de não ‘acertar’. Alcançar a excelência esperada significa não só uma produção brilhante mais um retorno em audiência”, observa.

De acordo com João Paulo, isso faz parte do mercado. Se algumas séries com grande expectativa como Sense8 acabaram sendo encerradas, outras como 13 Reasons Why que não recebeu tanto crédito da plataforma, surpreendeu. “O fato de ela ter vingado mostra que a tentativa e erro faz parte do negócio, inclusive no canal online Netflix. Se compararemos com os canais de TV por assinatura a taxa de cancelamentos ainda muito é baixa”, diz o especialista.

“A oferta nunca foi tão grande, tendo diversos serviços de streaming à disposição; acessar nunca foi tão fácil com acessos à rede de dados cada vez mais rápidos e disponíveis. Esse vasto catálogo precisará de uma curadoria humana ou mesmo de algoritmos cada vez mais inteligentes para indicar um conteúdo “para assistir. É preciso entender que o modelo de negócios mudou junto com a forma de consumo. O usuário não tem a quantidade de tempo livre na mesma velocidade de novas séries são lançadas. Ele também será obrigado a fazer escolhas”, reforça João Paulo.

Nathalie Hornhardt, coordenadora do grupo de estudos sobre séries televisivas da FAAP, explica que o streaming é um serviço que promove a independência do espectador. “É justamente quem assiste que dita as regras: horário, frequência, periodicidade. A única decisão que o espectador não pode tomar diante da Netflix ou de qualquer outro player internacional é o dia em que a nova temporada da sua série preferida vai estrear ou o que é muito pior, se sua série vai ser renovada ou não”, explica. Segundo ela, as reclamações dos fãs se baseiam em um cenário em que os usuários da plataforma deixam de sentir que estão no controle.

“As séries são canceladas por um conjunto de fatores: taxa de crescimento dos assinantes e a quantidade de pessoas que assistem tal programa e esse dado é medido de diversas formas. Em decorrência disso, a Netflix tem optado por séries mais dinâmicas e mais curtas, com exceções, obviamente. Cada vez mais, o serviço de streaming produz séries para públicos específicos, como Stranger Things, por exemplo.” Ainda de acordo com Nathalie,  o público era acostumado com séries produzidas para ou por emissoras de televisão, com muitos episódios e temporadas em demasia. Isso tende a mudar, principalmente por conta da dinamicidade da maioria dos espectadores atuais millenials e geração Z”.

Meio e Mensagem

 

Cancelamentos de séries incomodam usuários da Netflix


Após The Get Down e Sense8, plataforma não renova a segunda temporada de Girlboss; apesar de habituais, interrupções são recebidas com críticas

A não renovação da série Girlboss pela Netflix, um mês após o cancelamento de The Get Down e semanas depois da oficialização do fim de Sense8, vem gerando algumas pressões para a plataforma por parte de assinantes. No último fim de semana, após Sophia Amoruso, empresária que foi inspiração para Girlboss, publicar a informação do fim da série em seu Instagram, vários usuários passaram a ironizar a empresa nas redes sociais.

À época do cancelamento de Sense8, interrupção de série que mais mobilizou internautas, Roberto Malerva, um dos produtores da segunda temporada, disse que a série possuia um custo alto e uma produção complexa já que inclui 16 cidades diferentes. A estimativa é que o custo de um episódio de Sense8 chegue a US$ 9 milhões contra US$ 4 milhões por episódio de House of Cards, que está em sua quinta temporada. O cancelamento gerou até mesmo petições em prol da volta de Sense8.

No início de junho, Reed Hastings, CEO da Netflix, em entrevista à CNBC, afirmou que a empresa não hesitaria caso fosse necessário cancelar algumas séries. “Nossa taxa de sucesso está muito alta agora. Então nós cancelamos poucas séries. Eu sempre falo para a equipe de conteúdo que precisamos nos arriscar mais, nós temos de tentar mais coisas loucas. Nós deveríamos ter uma taxa de cancelamentos mais alta”, disse Hastings. Procurada, a Netflix não comentou o assunto.

O investimento em produção original virou uma marca da Netflix. A estimativa é de que a empresa produza em 2017 mais conteúdo original do que produziu em 2016 com um investimento total de US$ 6 bilhões. No período de 2012 a 2016, foram 222 lançamentos de produções originais. O ritmo de produção da plataforma acabou gerando um efeito nos próprios usuários que estão com dificuldade de aceitar os cancelamentos de séries.

Na visão de João Paulo Rego, professor especialista em marketing digital da FGV, a empresa já não havia renovado Marco Polo e Bloodline, mas ainda não havia sentido a repercussão. “Pode soar estranho para muitos, porém, no entendimento do seu fundador em entrevistas, o processo de acerto passa por fracassos, e, consequentemente, o risco. Não só o financeiro, mas também o de não ‘acertar’. Alcançar a excelência esperada significa não só uma produção brilhante mais um retorno em audiência”, observa.

De acordo com João Paulo, isso faz parte do mercado. Se algumas séries com grande expectativa como Sense8 acabaram sendo encerradas, outras como 13 Reasons Why que não recebeu tanto crédito da plataforma, surpreendeu. “O fato de ela ter vingado mostra que a tentativa e erro faz parte do negócio, inclusive no canal online Netflix. Se compararemos com os canais de TV por assinatura a taxa de cancelamentos ainda muito é baixa”, diz o especialista.

“A oferta nunca foi tão grande, tendo diversos serviços de streaming à disposição; acessar nunca foi tão fácil com acessos à rede de dados cada vez mais rápidos e disponíveis. Esse vasto catálogo precisará de uma curadoria humana ou mesmo de algoritmos cada vez mais inteligentes para indicar um conteúdo “para assistir. É preciso entender que o modelo de negócios mudou junto com a forma de consumo. O usuário não tem a quantidade de tempo livre na mesma velocidade de novas séries são lançadas. Ele também será obrigado a fazer escolhas”, reforça João Paulo.

Nathalie Hornhardt, coordenadora do grupo de estudos sobre séries televisivas da FAAP, explica que o streaming é um serviço que promove a independência do espectador. “É justamente quem assiste que dita as regras: horário, frequência, periodicidade. A única decisão que o espectador não pode tomar diante da Netflix ou de qualquer outro player internacional é o dia em que a nova temporada da sua série preferida vai estrear ou o que é muito pior, se sua série vai ser renovada ou não”, explica. Segundo ela, as reclamações dos fãs se baseiam em um cenário em que os usuários da plataforma deixam de sentir que estão no controle.

“As séries são canceladas por um conjunto de fatores: taxa de crescimento dos assinantes e a quantidade de pessoas que assistem tal programa e esse dado é medido de diversas formas. Em decorrência disso, a Netflix tem optado por séries mais dinâmicas e mais curtas, com exceções, obviamente. Cada vez mais, o serviço de streaming produz séries para públicos específicos, como Stranger Things, por exemplo.” Ainda de acordo com Nathalie,  o público era acostumado com séries produzidas para ou por emissoras de televisão, com muitos episódios e temporadas em demasia. Isso tende a mudar, principalmente por conta da dinamicidade da maioria dos espectadores atuais millenials e geração Z”.

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