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Caderno Mercado

Eleitores americanos rejeitam data centers e ações de inteligência artificial desabam

Eleitores americanos rejeitam data centers e ações de inteligência artificial desabam

As urnas americanas deram um recado claro contra a instalação de estruturas tecnológicas nas comunidades locais. Quarenta das 41 consultas populares realizadas em dez estados durante as eleições de meio de mandato terminaram com a rejeição aos projetos de expansão das grandes empresas de tecnologia.

Impacto econômico e queda nas bolsas

A reação popular contra o avanço da inteligência artificial também influenciou a derrota do partido do presidente Donald Trump, que perdeu as maiorias na Câmara e no Senado. Levantamento da NBC News indicou que 57% da população acredita que a tecnologia trará mais malefícios do que benefícios, enquanto 76% rejeitam a construção de centrais de dados em suas regiões. Como reflexo desse cenário, as bolsas globais operam em baixa, com a Nasdaq Composite registrando queda de 5,5%.

O diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), André Roncaglia, explicou à Agência Brasil que o resultado eleitoral nos EUA abalou a coalizão política que dá sustentação a Trump e que conta com as big techs entre os principais aliados.

“Nos EUA, os estados que tinham menos regulação para data centers recebiam muito mais investimentos. Isso gerou uma série de impactos ambientais, com encarecimento da energia e da água. Isso foi mobilizando cada vez mais uma reação popular”, explicou Roncaglia, que é economista e professor da Universidade de Brasília (UnB).

Custo de vida e pressão sobre recursos

O funcionamento de infraestruturas voltadas ao processamento de inteligência artificial exige um consumo massivo de água e energia, encarecendo os serviços básicos para os moradores locais. Enquanto democratas defenderam maior rigor regulatório para o setor, a ala republicana rejeitou regras que pudessem frear os aportes financeiros.

O economista André Roncaglia acrescentou que a maioria conquistada pelos democratas na Câmara e no Senado indicou ao mercado financeiro que o ambiente, até então sem regulação para IA e data centers, deve sofrer alterações.

“Sempre que há uma mudança de perspectiva, o mercado financeiro se ajusta. Essa era uma correção que já era esperada se houvesse essa mudança política. Agora, vamos ver um processo de acomodação a partir de uma arbitragem regulatória do setor”, explicou.

Plebiscitos e rejeição popular

A maioria das votações sobre o tema ocorreu por meio de petições populares. Levantamento da Ballotpedia aponta rejeições superiores a 60%, como em Ottawa, no Kansas, onde a proibição de centros com consumo superior a 25 megawatts venceu com 72% dos votos. Para o diretor-executivo da Brazil Office Alliance, Paulo Abraão, 56% dos eleitores consideraram a pauta decisiva nas urnas.

“O fenômeno é politicamente significativo, porque atravessa as divisões partidárias tradicionais. Não se trata simplesmente de uma rejeição à tecnologia, mas de uma exigência de controle democrático sobre sua expansão”, afirmou o diretor da organização, que conecta pesquisadores brasileiros que atuam nos EUA.

O especialista destaca que a pergunta que organiza o debate é: quem ficará com os lucros da revolução tecnológica e quem pagará seus custos sociais e ambientais?

“A inteligência artificial entrou definitivamente na agenda eleitoral americana, e tudo indica que será um tema relevante na disputa presidencial de 2028. Parte disso também decorre de um desgaste crítico da aliança entre Trump e Musk junto à opinião pública”, concluiu.

Perspectivas regulatórias

Com a nova configuração no Congresso, parlamentares democratas preparam projetos de lei para impor limites rígidos ao setor e proteger os consumidores. Em contraste, o governo havia lançado em setembro uma proposta de autorregulação para as empresas de tecnologia.

“O topo da agenda democrata no dia 1 precisa ser uma pausa no desenvolvimento de IA avançada, a regulação dessa indústria fora de controle e uma proibição à superinteligência artificial”, afirmou a deputada eleita pelo Arizona, Yassmin Ansari.

Fonte: Agencia Brasil