Vitória democrata no congresso americano mexe com a economia e IA
A conquista do controle do Congresso americano pelos democratas nas eleições de meio de mandato adicionou uma nova camada de incerteza para o mercado financeiro global. O resultado político chega em um momento delicado, marcado pelos reflexos da guerra no Irã, inflação persistente e a expansão da dívida pública nos Estados Unidos. Embora a reação inicial das bolsas tenha sido moderada, os investidores agora avaliam como a nova dinâmica de poder em Washington moldará a economia e as diretrizes para empresas de tecnologia.
Impacto do petróleo e inflação global
Entre os principais riscos para os mercados continua sendo a guerra no Irã. O petróleo permanece acima de US$ 100 por barril, com alta de 70% neste ano, o que pressiona os preços dos combustíveis para consumidores e empresas.
Na prática, quando o petróleo fica mais caro, o impacto não se limita aos postos de combustíveis. O aumento também pode elevar os custos de transporte e produção, o que encarece outros produtos e serviços.
Essa pressão pode se espalhar pela economia e dificultar o controle da inflação. Os bancos centrais acompanham esse risco porque uma alta mais disseminada dos preços pode exigir juros mais elevados.
Nos Estados Unidos, a inflação permanece fora da meta do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) há mais de cinco anos. Na zona do euro, a inflação anual chegou a 4% em outubro, o maior nível em três anos, impulsionada pelos preços da energia. O resultado reforçou as apostas de que o Banco Central Europeu (BCE) aumente os juros em dezembro. Além da guerra no Irã, outros episódios aumentaram a preocupação dos investidores com a política externa americana. A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA e as ameaças de Donald Trump de impor tarifas a aliados europeus por causa da Groenlândia surpreenderam os mercados.
Regulamentação e o futuro da inteligência artificial
Outro ponto que entrou no radar dos investidores é o futuro das empresas de inteligência artificial. A vitória democrata aumentou as preocupações com a possibilidade de o Congresso americano adotar regras mais rigorosas de fiscalização do setor.
Pesquisas de opinião mostram que eleitores democratas são favoráveis a um controle maior sobre a IA. Por isso, investidores temem que o novo cenário político leve à adoção de regras mais rígidas para as empresas que desenvolvem e utilizam essa tecnologia. A preocupação existe porque a inteligência artificial se tornou uma das principais apostas de crescimento da economia americana e tem impulsionado investimentos de grandes empresas de tecnologia.
Apesar do receio inicial, as bolsas mundiais se recuperaram das perdas registradas mais cedo nesta quarta-feira. Os contratos futuros dos principais índices de ações dos Estados Unidos também avançavam, depois de terem caído até 2%.
Dívida soberana e o alívio nos títulos
O endividamento americano também preocupa os investidores. A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou recentemente US$ 40 trilhões, em um momento em que o governo precisa financiar seus gastos e manter a confiança dos investidores que compram títulos do Tesouro americano.
Quando os investidores ficam mais preocupados com a capacidade do governo de administrar suas contas, podem exigir juros maiores para emprestar dinheiro ao país. Isso encarece o custo da dívida pública e pode aumentar os custos para toda a economia. O aumento dos investimentos em inteligência artificial e o elevado endividamento dos governos já contribuíram para elevar os custos dos empréstimos a níveis não registrados em várias décadas.
Nesse cenário, o resultado das eleições também trouxe alívio para parte do mercado. Os juros dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries, recuavam nesta quarta-feira. Analistas avaliaram que parte dos investidores reagiu positivamente à possibilidade de Donald Trump não conseguir cumprir a promessa de distribuir cheques de US$ 5 mil aos adultos americanos, feita para o caso de vitória dos republicanos nas eleições. As atenções agora também se voltam para as negociações do Orçamento dos Estados Unidos para 2027, com o Congresso tendo adiado o debate sobre os gastos do governo e estabelecido o dia 11 de dezembro como prazo para o acordo.
Fonte: G1 Economia