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Caderno Mercado

Gasolina nos Estados Unidos caminha para recorde na gestão Trump

Gasolina nos Estados Unidos caminha para recorde na gestão Trump

O valor da gasolina nos Estados Unidos está prestes a alcançar uma média inédita durante uma gestão presidencial desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, bem no momento em que os eleitores se preparam para as urnas em eleições legislativas marcadas pelo encarecimento do custo de vida.

Impacto do conflito no Oriente Médio

Uma avaliação fundamentada em informações federais aponta que o preço médio do galão de combustível no segundo mandato de Trump ultrapassará US$ 3,46, superando a marca anterior registrada na administração de Joe Biden. Esse cenário desfavorável surge após uma disparada nos custos energéticos motivada pelo início do conflito com o Irã em fevereiro, fator que ampliou o desgaste político dos republicanos.

“Os preços elevados da energia são um dos principais fatores por trás das preocupações com o custo de vida, que estarão no centro das atenções dos eleitores nas urnas”, afirmou Jason Bordoff, diretor do Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia. “E esses preços são resultado de danos autoinfligidos que esta administração impôs ao país.”

Durante a corrida eleitoral de 2024, Trump havia prometido baratear o insumo para US$ 2 por galão. Contudo, o avanço da guerra elevou o preço em mais de 33% desde janeiro do ano passado, alcançando US$ 4,269 por galão em 26 de outubro, conforme dados da Administração de Informação de Energia (EIA).

Repercussão política e econômica

O encarecimento das bombas provocou aceleração na inflação, elevando o índice de gastos com consumo pessoal para uma taxa anual de 3,6% em setembro. Com isso, pesquisas mostram que eleitores insatisfeitos podem penalizar o partido governista, acirrando disputas em tradicionais redutos republicanos.

“Se a vida moderna pudesse ser resumida a um preço, seria o preço na bomba de combustível”, afirmou Bob McNally, ex-assessor de energia do governo George W. Bush e presidente da consultoria Rapidan Energy. “Independentemente de o eleitor abastecer naquele dia ou não, é provável que veja o preço na bomba.”

O analista acrescentou que a forte alta dos combustíveis equivaleu a “um aumento repentino de impostos que o eleitor não autorizou e sobre o qual o Congresso não votou”, ressaltando que “e, como os presidentes [Jimmy] Carter e George H. W. Bush podem atestar, isso representa um enorme obstáculo para qualquer partido no poder às vésperas de uma eleição.”

Respostas e medidas do governo

A Casa Branca defendeu a condução do conflito e apontou a necessidade de conter ameaças externas. A porta-voz Taylor Rogers declarou: “Proteger a segurança nacional dos Estados Unidos contra ameaças de um regime terrorista radical que grita ‘Morte à América’ há 47 anos foi a coisa certa a fazer, e o presidente Trump é o único que teve coragem de fazê-lo”.

Além disso, o setor de diesel tem sofrido pressões ainda maiores, com alta superior a 70% e médias recordes que afetam diretamente a indústria e a agricultura. Para tentar amenizar o problema, o governo adotou medidas excepcionais, como a suspensão temporária de sanções à importação de diesel russo após entendimento com Vladimir Putin.

Apesar das estratégias governamentais e da celebração dos lucros bilionários das gigantes do petróleo por parte do presidente — que afirmou em evento na Geórgia: “Não estou nem aí, vou dizer: estamos fazendo uma fortuna do caramba” —, críticos apontam que o impacto dessas ações nas bombas será limitado e o desgaste político já está consolidado para o pleito.

“Trump e seus amigos ultrarricos do setor petrolífero estão estourando champanhe enquanto embolsam bilhões com o sofrimento dos americanos”, concluiu Alex Glass, representante da organização Climate Power.

Fonte: Folha - Mercado