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Caderno Mercado

Ataque cibernético eleva temperatura de freezers na Europa e estraga alimentos

Ataque cibernético eleva temperatura de freezers na Europa e estraga alimentos

Um suposto ataque cibernético atingiu freezers e geladeiras de dezenas de supermercados na Estônia, na Bélgica, em Luxemburgo e na Suécia, provocando o superaquecimento repentino dos equipamentos e a perda de toneladas de alimentos que somam milhões de euros em prejuízos.

As ações desta segunda-feira (2) afetaram estabelecimentos das redes Coop e Ica na Suécia, onde os equipamentos atingiram marcas de até 55°C, além de unidades do Carrefour e da Ahold Delhaize na Bélgica, juntamente com comércios em Luxemburgo e na Estônia. O episódio sucede investidas parecidas registradas semanas antes contra centenas de lojas francesas, nas quais os refrigeradores alcançaram até 80°C.

Hacker altera configurações de refrigeração Na Suécia, a Coop relatou que invasores cibernéticos não identificados modificaram os parâmetros de resfriamento em sete de suas unidades.

Camilla Nilsson, gerente da loja Ica St Olof, em Österlen, na Suécia, afirmou que hackers “conseguiram invadir nossos sistemas de gerenciamento de refrigeração e alterar as configurações”.

Na Estônia, a fornecedora Kitman Coldtech confirmou que uma rede varejista teve os aparelhos ajustados para 50°C.

“Isso é muito recente, aconteceu esta manhã”, disse o presidente-executivo da Kitman, Jann Mutso, à ERR.

Impacto severo na conservação de produtos A gravidade da pane térmica impediu qualquer tipo de controle manual por parte dos comerciantes locais, resultando na perda total dos estoques refrigerados.

“Não conseguimos ajustar as temperaturas, não conseguimos alterá-las. Ar quente está sendo soprado para dentro dos freezers. Tudo está perdido”, lamentou Rickard Nilsson, responsável por uma loja da Ica em Sjöbo, no sul da Suécia, ao jornal Aftonbladet.

Segurança digital e vulnerabilidades na indústria Especialistas em tecnologia frequentemente alertam sobre os riscos de falhas de segurança e softwares desatualizados em infraestruturas essenciais, que vão desde redes de energia até o setor de abastecimento de alimentos.

Mich Vergauwen, porta-voz do Carrefour na Bélgica, afirmou que o ataque de segunda-feira foi semelhante ao ocorrido na França e que apenas um pequeno número de suas lojas foi impactado devido a medidas extras adotadas após os ataques na França, como atualizações e o uso de uma conexão segura.

Historicamente, invasões a sistemas de tecnologia operacional exigem alta especialização, mas o avanço de novas ferramentas tem ampliado o alcance dessas ameaças para múltiplos alvos simultâneos.

“O alcance e a escala desses ataques são algo novo”, afirmou Robert Lee, diretor-executivo da empresa de segurança cibernética Dragos. “Nunca tivemos mais de cem empresas de abastecimento de água [afetadas] ao mesmo tempo. Nunca tivemos centenas de supermercados ao mesmo tempo.”

A investigação dos episódios anteriores na França segue em andamento com o apoio de agências governamentais, enquanto as redes afetadas na Europa continuam avaliando os danos operacionais e os prejuízos materiais causados pela falha nos sistemas de refrigeração.

Fonte: Folha - Tecnologia