Ataques hackers a geladeiras e eletrodomésticos inteligentes: é possível?
Milhões de alimentos foram destruídos após ataques cibernéticos provocarem o superaquecimento de geladeiras e freezers em redes de supermercados na Bélgica e na Suécia.
Riscos globais de cibersegurança em eletrodomésticos O incidente recente reacende o debate sobre a segurança de dispositivos conectados. Um problema semelhante já havia sido relatado pela varejista Ahold Delhaize à polícia holandesa, ocorrendo na mesma época em que freezers de centenas de lojas na França atingiram 50°C durante a noite, resultando em incêndios e perda de mercadorias.
A vulnerabilidade dos aparelhos conectados Qualquer equipamento ligado à internet, seja de forma direta, por aplicativos, nuvem ou rede doméstica, pode, em tese, ser invadido. A expansão de itens que antes funcionavam apenas de forma mecânica agora abre brechas para criminosos digitais. Em 2015, especialistas já haviam demonstrado em uma conferência de hacking em Las Vegas que uma geladeira inteligente da Samsung poderia ser comprometida para interceptar dados de internet.
Alvos comuns em residências Entre os dispositivos mais visados estão câmeras de segurança, campainhas com vídeo, alarmes, fechaduras inteligentes, termostatos e eletrodomésticos como fornos e máquinas de lavar. No entanto, dados do setor mostram que os roteadores concentram mais de 75% de todas as investidas contra aparelhos conectados.
Consequências práticas de uma invasão Ao invadir um aparelho, os criminosos costumam buscar duas finalidades principais: coletar dados ou assumir o controle total do sistema. Enquanto câmeras e microfones capturam imagens e sons particulares, dispositivos controlados podem ter suas configurações alteradas, como termostatos e freezers que sofrem manipulação de temperatura.
Segurança em veículos e infraestruturas Veículos modernos também apresentam riscos já demonstrados por pesquisadores, como o caso em que especialistas controlaram remotamente um Jeep em movimento, gerando um grande recall em 2015, além de falhas mais recentes em modelos da Kia. Apesar disso, carros, aviões e setores de infraestrutura crítica, como água e energia, contam com camadas robustas de segurança, tornando-os alvos consideravelmente mais difíceis do que eletrodomésticos comuns.
Como proteger sua casa contra hackers Para reforçar a segurança digital do lar, profissionais recomendam trocar senhas de fábrica, habilitar a autenticação de dois fatores e aplicar atualizações de software com frequência. Desativar aparelhos obsoletos que não recebem mais patches de segurança e manter os dispositivos em uma rede local isolada ajudam a reduzir significativamente as portas de entrada para possíveis invasores.
Fonte: Folha - Tecnologia