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Caderno Mercado

Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA gera crise e racha na direita

Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA gera crise e racha na direita

A viagem do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos logo após o revés na disputa presidencial, acompanhada da publicação de um manifesto em que se autoproclamava vitorioso do pleito, gerou forte repercussão negativa. A atitude provocou divisões internas entre aliados, despertou críticas até mesmo dentro de sua própria legenda e motivou uma forte mobilização de partidos de esquerda em defesa da legalidade do processo democrático.

Desgaste político e repercussão no PL A postura do parlamentar causou profundo malestar no comando do Partido Liberal. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, admitiu publicamente que desaprovou o teor do documento divulgado nas redes sociais.

“[Ele] passou uma situação difícil, nós compreendemos, mas não aprovamos”, declarou Valdemar.

Entre os parlamentares que estiveram ao lado do senador no pronunciamento pós-eleição, apenas uma fração reduziou o apoio ao texto original. Enquanto nomes como o de Rogério Marinho tentaram minimizar o episódio justificando a autoproclamação como um equívoco de redação, bastidores da legenda indicam que a crise pode prejudicar outras figuras influentes do bolsonarismo.

Oportunidade para Tarcísio de Freitas em 2030 Diante do enfraquecimento político decorrente da saída do país, alas governistas paulistas e apoiadores do governador Tarcísio de Freitas enxergaram uma janela de oportunidade para consolidar o nome do chefe do Executivo estadual rumo ao Palácio do Planalto na próxima década.

Nos bastidores, interlocutores relatam um fluxo intenso de ligações de empresários, parlamentares e líderes do agronegócio prestando solidariedade ao governador. O próprio Tarcísio admitiu recentemente a viabilidade de concorrer ao cargo máximo do país no futuro, ponderando contudo a necessidade de consenso partidário.

“Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho”, afirmou.

Além disso, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro surge nos cálculos políticos como um nome viável para compor uma chapa presidencial integrada por Tarcísio, embora tal articulação ainda enfrente resistência da ala mais ortodoxa fiel à família Bolsonaro.

Resistência interna do bolsonarismo raiz Apesar das especulações em torno de novas lideranças para encabeçar o campo conservador, o núcleo mais próximo ao ex-presidente manifesta forte oposição a qualquer tentativa de transição de comando no grupo político.

O vice-prefeito da capital paulista, coronel Mello Araújo, enfatizou a centralidade da figura de Jair Bolsonaro na condução do movimento e descartou sucessões automáticas.

“Nosso maior líder está preso. Ele indicou seu filho para concorrer nas eleições. Estes que pensam que podem assumir assim não vão prosperar”, afirmou Mello Araújo, acrescentando que a verdadeira liderança política “é nata, não se cria, não se faz”.

Reação da esquerda e postura do governo Enquanto a oposição debate seus rumos futuros, a diretriz adotada pelo entorno do presidente Lula consiste em manter o mandatário afastado da polêmica gerada pelo senador derrotado, intervindo apenas caso ocorra endosso internacional à narrativa de contestação.

Em contrapartida, um bloco formado por PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT publicou um manifesto conjunto repudiando os ataques contra o sistema de votação e alertando contra qualquer ingerência externa na política nacional.

“O Brasil não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático”, afirmaram as siglas em nota oficial.

Os partidos refutaram a tese de irregularidades baseada na ampliação do período de votação, lembrando que a medida atendeu a um pleito conjunto das próprias chapas concorrentes devido a problemas climáticos e logísticos. Ao final, o bloco sublinhou que a lisura do pleito foi validada por auditorias independentes e organismos oficiais.

“O Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada”, concluíram os partidos.

Fonte: G1 - Política