Cuba comemora aprovação na ONU contra bloqueio dos EUA
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução contrária ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. Mesmo registrando o placar mais desfavorável ao país caribenho nos últimos 30 anos, a diplomacia cubana celebrou o resultado obtido no plenário internacional.
Contexto da votação na ONU A proposta foi aprovada com 130 votos favoráveis — incluindo o posicionamento do Brasil —, além de 17 votos contrários e 25 abstenções. Histórias de votações anteriores frequentemente superavam a marca de 190 apoios.
A retração no apoio internacional decorre de uma intensa articulação promovida pela gestão de Donald Trump para persuadir nações aliadas a rejeitarem o texto. Enquanto em 2024 apenas Israel e os Estados Unidos votaram contra, o grupo de oposição cresceu para 17 governos em 2025, abrangendo países como Argentina, Colômbia e a Ucrânia. Outras 25 nações optaram pela abstenção, rompendo com o histórico de respaldo a Havana.
Impacto humanitário e crise energética Durante entrevista realizada em Brasília, o embaixador cubano Victor Manuel Cairo Palomo criticou duramente a política de Washington e detalhou as consequências humanitárias do embargo, que já ultrapassa seis décadas de vigência desde a Revolução Cubana de 1959.
Segundo o diplomata, o endurecimento das sanções sob a nova administração norte-americana dobrou a taxa de mortalidade infantil na ilha entre 2025 e 2026, saltando de 4,4 para 9,9 óbitos a cada mil nascimentos. As restrições severas à importação de petróleo também provocaram apagões superiores a dez horas diárias em Havana e paralisaram serviços essenciais.
Repercussões econômicas globais As restrições econômicas afetam setores estratégicos como o turismo, com a redução de voos internacionais e a retirada de redes hoteleiras e empresas financeiras. O encarecimento e o represamento de mercadorias também geram reflexos logísticos severos globalmente.
Reformas internas e transição energética Para mitigar os efeitos da asfixia econômica, o governo cubano implementou reformas estruturais recentes, com foco na expansão da energia solar em parceria com a China e no fortalecimento da produção nacional de alimentos.
Fonte: Agencia Brasil