Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Estatais federais registram déficit recorde de R$ 8,5 bilhões até setembro

Estatais federais registram déficit recorde de R$ 8,5 bilhões até setembro

O Banco Central divulgou que as empresas estatais federais acumularam um déficit de R$ 8,5 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, conforme dados oficializados nesta sexta-feira (31). O termo financeiro indica que as despesas somadas dessas companhias superaram a arrecadação de receitas no período.

Metodologia e empresas monitoradas A série estatística do Banco Central desconsidera a Petrobras, a Eletrobras e instituições do setor financeiro, a exemplo dos bancos públicos. Enquanto a Petrobras e a Eletrobras foram retiradas da base de cálculo em 2009, a metodologia foi aplicada retroativamente a partir de 2002. Integram o levantamento corporações como os Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea. O modelo foca na variação da dívida, padrão fiscal internacional, diferindo da contabilidade governamental tradicional de receitas versus despesas.

Pior resultado da série histórica O indicador representa o pior desempenho para o intervalo na série histórica do Banco Central, iniciada em 2002. O recorde anterior para os primeiros nove meses havia sido registrado em 2025, com saldo negativo de R$ 6,3 bilhões sem correção inflacionária. O patamar atual também ultrapassa o montante negativo acumulado em todo o ano de 2024, quando o rombo financeiro fechou em R$ 6,73 bilhões.

Projeções e alerta fiscal Na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 enviada ao Congresso em abril, a administração federal reconhece que as estatais, deficitárias desde 2023, permanecerão com contas negativas até 2030. A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, sinalizou uma “deterioração perceptível” na saúde contábil de parcela expressiva dessas companhias, elevando a exposição a riscos para o Tesouro Nacional.

“Essa deterioração não é uniforme nem decorre de uma única causa, mas os dados levantados pela IFI permitem identificar padrões que merecem atenção do ponto de vista da gestão fiscal”, acrescentou o órgão, por meio do Relatório de Acompanhamento Fiscal de julho.

Crise nos Correios O cenário adverso das contas públicas é impulsionado de maneira determinante pela situação dos Correios, que atravessam severa crise financeira e registram resultados negativos consecutivos. A companhia postal acumula 15 trimestres seguidos no vermelho, tendo encerrado o primeiro semestre deste ano com prejuízo de R$ 5,6 bilhões.

Para mitigar o desequilíbrio das contas, o governo permitiu em maio que a estatal comercialize seguros, títulos de capitalização e atue no segmento de telefonia por meio de parcerias com instituições financeiras. Segundo o Ministério da Gestão, a empresa implementa atualmente um planejamento voltado ao reequilíbrio econômico e à reestruturação operacional.

Fonte: G1 Economia