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Caderno Mercado

Inadimplência bancária e endividamento atingem recordes históricos

Inadimplência bancária e endividamento atingem recordes históricos

A taxa média de inadimplência nas operações de crédito concedidas pelos bancos encerrou setembro em 5%, mantendo o patamar recorde da série histórica revisada pela autoridade monetária desde março de 2011, conforme divulgado pelo Banco Central.

Cenário das pessoas físicas e jurídicas

O indicador considera atrasos superiores a 90 dias para empresas e consumidores. Entre as pessoas físicas, o índice ficou estacionado em 6% no mês passado, alcançando o maior nível já registrado. Em contrapartida, a taxa de atraso das empresas apresentou recuo, passando de 3,4% para 3,3%.

Impacto da renda e programas federais

Paralelamente, o endividamento das famílias brasileiras chegou a 50,1% da renda anual em agosto de 2026, ultrapassando a barreira dos 50% pela primeira vez na série histórica iniciada em 2011, quando o patamar era de 34,9%. Esse cenário ocorre em meio à corrida eleitoral e apesar de iniciativas governamentais.

Em maio deste ano, a gestão federal implementou o Novo Desenrola Brasil, também conhecido como Desenrola 2.0. Na semana passada, uma nova rodada do programa foi anunciada com o objetivo de renegociar R$ 150 bilhões em débitos.

A estratégia consiste na compra de carteiras de crédito com atrasos entre 2 e 4,5 anos pelas instituições financeiras, com um deságio de 90%. Para isso, o governo projeta um desembolso de R$ 15 bilhões.

A iniciativa abrangerá débitos de cartão de crédito — tanto rotativo quanto parcelado — e empréstimos pessoais sem consignação, contemplando valores de até R$ 10 mil, conforme detalhou o ministro do Planejamento, Bruno Moretti.

Ações e alertas do Banco Central

No começo de setembro, a instituição financeira máxima do país apontou que, frente aos elevados patamares de juros, o “endividamento continua pressionando a condição financeira de famílias e empresas”.

Documento divulgado após a reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) realizada no final de agosto indicou que o órgão planeja ações para “mitigar riscos” gerados pela forte presença de linhas de crédito onerosas no orçamento doméstico.

“Essas medidas visam promover o reconhecimento tempestivo dos riscos, o acúmulo gradual de capital e condições mais sustentáveis de oferta de crédito aos tomadores”, informou o Banco Central.

Como parte dessas novas diretrizes, o BC determinou na última semana que propostas de empréstimo bancário realizadas por meio do Pix exigirão autorização prévia e individual do cliente, exigindo um prazo mínimo de 24 horas entre a ativação do serviço e a primeira proposta.

Além disso, uma resolução recente determinou que os bancos disponibilizem ferramentas simples para que os usuários possam recusar publicidades e ofertas de crédito direcionadas, com vigência estipulada para 31 de março de 2027. O objetivo dessas normas é ampliar a segurança e dar maior autonomia aos consumidores frente ao assédio comercial das instituições financeiras.

Fonte: G1 - Política