Alckmin diz em São Carlos que adversário impõe barreiras sobre sigilos
O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou nesta quinta-feira (22), durante agenda em São Carlos (SP), que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro impôs condições na tentativa de barrar a abertura de seus dados privados.
Contexto da polêmica eleitoral A discussão ganhou força após o debate presidencial transmitido pela Band no último domingo (18), ocasião em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou o adversário a expor informações financeiras e fiscais. Na terça-feira (20), a defesa do petista protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento autorizando a divulgação de registros dos últimos oito anos, exigindo medida equivalente do concorrente. Em resposta, a campanha do senador apresentou uma contraproposta com novas demandas, enquanto os advogados do PL classificaram a iniciativa inicial de Lula como um factóide.
Críticas à postura do candidato Durante sua passagem pela Santa Casa do município paulista, Alckmin reprovou a conduta do parlamentar no debate e argumentou que o debate público serve para esclarecer os eleitores. “O debate é um ponto alto da campanha porque ele é mais verdadeiro, né? Ele não é produzido, ele é mais espontâneo, mais verdadeiro e deve ser sempre um instrumento para esclarecer o eleitorado, para tirar dúvidas, para prestar contas. E lamentavelmente a gente viu que no caso do Bolsonaro foi um candidato desrespeitoso, não respondeu nada”, afirmou o vice-presidente.
As exigências apresentadas pela campanha do PL Em contrapartida ao desafio presidencial, a equipe do senador condicionou o levantamento de dados a uma série de requisições que englobam desde períodos anteriores até a atual gestão. Entre os pontos exigidos estão a liberação de sigilos de assessores próximos, como o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro (conhecido como “Marcola”), além de investigações sobre empresas de familiares do presidente e o Instituto Lula.
O documento entregue pela defesa opositora também pede esclarecimentos sobre registros de visitantes no Palácio do Planalto, gastos com o cartão corporativo e relações com a lobista Roberta Luchsinger. Por sua vez, a petição protocolada pelo petista estipula que a abertura de seus dados e de parentes — incluindo a primeira-dama Janja e seus filhos — ocorra de forma simultânea à de Jair Bolsonaro, parentes e empresas ligadas ao candidato do PL, que atualmente responde a inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Preocupações com plataformas digitais Paralelamente às discussões sobre transparência eleitoral, a coordenação da campanha governista manteve alertas em relação à atuação de empresas de tecnologia. O ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, reforçou que a equipe jurídica acionaria a Justiça Eleitoral contra a Meta devido a interferências no pleito. “A Meta é motivo de grande preocupação para gente e para o mundo democrático. Não vamos aceitar esse tipo de interferência, esse tipo de coisa”, pontuou o ministro.
Fonte: G1 - Política