Por que outubro é o mês perfeito para correr nas ruas brasileiras
Praticar exercícios aeróbicos como a corrida traz efeitos altamente positivos para o sistema cardiorrespiratório e para a disposição geral. Os benefícios superam amplamente os riscos, inclusive para os mais velhos, como diz o médico e professor Egídio Dórea, coordenador do programa 60+ da USP.
Apesar de eventuais tragédias ganharem mais destaque na mídia do que os milhões de treinos bem-sucedidos realizados diariamente, a modalidade se destaca pela autonomia. A capacidade de percorrer grandes distâncias usando apenas os próprios pés proporciona uma liberdade única.
A autonomia, somada aos efeitos da endorfina, multiplica o prazer de transformar qualquer percurso em um verdadeiro city tour, seja em uma competição oficial ou em um treino comum pelas ruas.
A explosão de cores da flora urbana em outubro
Outubro se destaca como um período ideal para colocar o corpo em movimento ao ar livre devido à floração e frutificação de espécies nativas do Brasil. Quem corre pelas vias de São Paulo, por exemplo, já se acostumou a pisar sobre o tapete amarelo formado pelas flores da sibipiruna, espécie típica da mata atlântica, além de encontrar árvores frutíferas como a pitangueira pelo caminho.
Desafios históricos na arborização das cidades
A arborização urbana no país carrega uma herança colonialista, onde espécies exóticas como a tipuana ainda predominam. Menos adaptadas, essas plantas sofrem mais com os eventos climáticos extremos intensificados pelas mudanças globais.
Para tentar reverter esse cenário, uma portaria do Ministério do Meio Ambiente instituiu o Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), que prioriza espécies nativas e estabelece a meta de garantir três ou mais árvores no entorno das residências de todos os moradores até 2045.
Críticas e caminhos para o futuro verde
A eficácia do plano governamental sofre ressalvas de especialistas. O botânico e paisagista Ricardo Cardim aponta a ausência de obrigatoriedade de execução por parte dos municípios e a falta de recursos adequados.
“A gente precisa de uma agência nacional com força de lei, que fiscalize, pesquise e promova a arborização urbana; de uma Embrapa Paisagismo, que desenvolva as melhores espécies brasileiras para arborização; de um mecanismo de obrigatoriedade de compras públicas de espécies nativas. [Sem isso] O melhor investimento agora seria educar as pessoas para que entendam a importância das árvores nas cidades.”
A expectativa por um cenário urbano mais verde e soberano nas próximas décadas mantém viva a esperança na biodiversidade nacional, reforçando a máxima de que “Ainda há sabiás nas palmeiras, ainda há esperança no Brasil.”
Fonte: Folha Esportes