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Caderno Mercado

Lula e Flávio Bolsonaro invertem papéis no Instagram na reta final

Lula e Flávio Bolsonaro invertem papéis no Instagram na reta final

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam à reta final da eleição usando o Instagram de formas diferentes, e em papéis invertidos em relação ao começo do ano.

Metodologia da pesquisa O g1 analisou 2,129 publicações dos perfis @lulaoficial e @flaviobolsonaro no Instagram, a rede social mais declarada pelos candidatos nas eleições deste ano ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre 1º de janeiro e 14 de outubro de 2026. São 1,305 da pré-campanha, até 15 de agosto, e 824 da campanha, que começou em 16 de agosto. Os dados foram coletados em outubro, e a análise considera as métricas de curtidas, comentários e reproduções, além dos textos das legendas dos posts.

Mudança nas legendas e confrontos A mudança mais visível está nas legendas do presidente. De janeiro a meados de agosto, quando a campanha começou oficialmente, Lula não citou “Bolsonaro” nem “Flávio” em nenhum post. No mesmo período, Flávio mencionou “Lula” em 21% das publicações, e “governo Lula” estava entre suas expressões mais frequentes. No primeiro turno, o nome do adversário passou a aparecer em cerca de 4% dos posts de Lula. No segundo turno, “Bolsonaro” está em 26% das publicações, e “Flávio”, em 20%. “Flávio Bolsonaro” virou a expressão de duas palavras mais usada pelo presidente nessa fase, presente em 20 posts, à frente de “povo brasileiro” (16). Um vídeo de 8 de outubro que começa com “O Brasil perde com Flávio Bolsonaro” teve 22,3 milhões de reproduções. Com isso, as posições se inverteram. Flávio, que citava Lula em um a cada cinco posts na pré-campanha, reduziu a proporção para 18% no primeiro turno e 15% no segundo. Mas os posts de confronto do senador são diretos e estão entre os que mais rendem.

Em 14 de outubro, o candidato do PL publicou um vídeo dirigido a Lula, em que anuncia que vai participar do debate realizado pela TV Bandeirantes, neste domingo (18), e diz “vou esfregar a verdade na tua cara”. O vídeo teve 26,2 milhões de reproduções, o mais visto do senador no segundo turno. Um dia antes de postar esse vídeo, Flávio Bolsonaro havia dito que não participaria do debate.

Posicionamento da Meta sobre falhas técnicas Nessa sexta-feira (16), reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo informou que, em mensagens internas, funcionários da Meta, dona do Instagram, reconheceram restrições que prejudicaram contas de Lula na rede social. Em nota, a empresa negou ter tomado medidas para interferir nas eleições e afirmou que houve uma falha técnica em 7 de outubro que afetou a plataforma no mundo todo, não apenas no Brasil. “Durante cerca de cinco horas, as contagens de visualizações ficaram congeladas, incorretas ou zeradas, embora o conteúdo continuasse sendo distribuído normalmente. O incidente afetou criadores em mais de 100 países”, informou a empresa.

Evolução do vocabulário dos candidatos O vocabulário de Lula no Instagram também mudou ao longo do ano. Na pré-campanha, o presidente falava como governo. As palavras que mais o distinguiam de Flávio Bolsonaro eram “indústria”, “programa”, “estudantes”, “Mercosul” e “trabalhando”. Entre as expressões mais usadas estavam “União Europeia”, “novo PAC” e “inteligência artificial”. No primeiro turno, ganharam espaço termos como “oportunidades”, “educação”, “garantir”, “bets” e “pronto”. A proibição das apostas esportivas por medida provisória rendeu um dos posts mais curtidos do presidente na campanha, em 25 de setembro, com 1,6 milhão de interações. No segundo turno, o tom mudou para fomentar a mobilização de eleitores do petista. “Bora” foi de 2% para 18% dos posts, e “família”, de 10% para 19%. “Povo”, termo mais frequente de Lula depois de “Brasil”, subiu de 30% para 37%. O fim da escala 6×1, aprovado pelo Senado na quarta-feira (14), virou bandeira: “6×1” aparece em 12% das publicações do segundo turno, contra 4% no primeiro. O post sobre a aprovação da proposta, de 14 de outubro, teve 2,7 milhões de curtidas e comentários e é o segundo de maior engajamento de Lula na campanha. Perderam espaço palavras como “soberania” e “bets”.

Flávio Bolsonaro já falava como candidato desde a pré-campanha. As palavras mais típicas do período eram “Bolsonaro”, “resgatar”, “esquerda”, “master” e “Flávio”. “Vamos resgatar” era sua expressão mais frequente. Na campanha, o discurso se concentrou no voto. “Vote” aparece em 57% dos posts do senador no primeiro turno e em 54% no segundo. “Vencer” está em 49% e 50%, respectivamente. No primeiro turno, as palavras que mais o distinguiam de Lula foram “libertar”, “vencer”, “turno”, “vote” e “primeiro”. No fim do primeiro turno, posts que citam o termo “censura” dominaram as publicações de maior alcance do senador, como “a censura não irá vencer!” (1º de outubro) e “censura nunca mais!” (2 de outubro). No segundo turno, o post com mais engajamento trata do fato de que o programa eleitoral dele foi exibido sem som na televisão (2,3 milhões de interações), o que aconteceu no dia 12 de outubro. “Mudança” passou de 7% para 12% das publicações.

Volume de publicações e engajamento Na pré-campanha, Flávio publicou 804 posts, média de 24,8 por semana, contra 501 de Lula — 15,4 por semana. O senador manteve entre 92 e 130 posts por mês até julho. Lula só acelerou em julho, quando publicou 101 posts, contra 56 em junho. A partir da semana de 27 de julho, passou a postar mais que o adversário e não perdeu mais a dianteira. Na campanha, a diferença se ampliou. Lula manteve o ritmo de 10,3 posts por dia nos dois turnos, mais que o triplo de Flávio. O senador caiu de 3,4 para 2,4 posts diários no segundo turno, redução de 30%. A virada no volume também inverteu o engajamento total. Na pré-campanha, os posts de Flávio somaram 146,1 milhões de curtidas e comentários, contra 58,3 milhões dos de Lula. Na campanha, Lula soma 182,1 milhões, e Flávio, 81,8 milhões. No segundo turno, o presidente acumula 8,4 milhões de interações por dia, e o senador, 2 milhões.

Preferência por formatos de vídeo Flávio Bolsonaro sempre priorizou vídeos: foram 90% dos posts na pré-campanha, 94% no primeiro turno e 96% no segundo. Lula começou o ano com uma mistura de formatos, com 47% de vídeos e 40% de carrosséis, muitos com fotos de Ricardo Stuckert (fotógrafo oficial do presidente), citado em 296 legendas na pré-campanha. Na campanha, a proporção de vídeos do presidente subiu para 64% no primeiro turno e 81% no segundo. Nas reproduções, o vídeo típico de Flávio teve 1,2 milhão na pré-campanha, 2,1 milhões no primeiro turno e 6,9 milhões no segundo. O de Lula teve 1 milhão, 1,5 milhão e 6,5 milhões. O vídeo mais reproduzido da campanha é de Lula: “O seu voto decide qual será o caminho do Brasil”, de 10 de outubro, com 39,9 milhões. O de Flávio é o agradecimento “OBRIGADO, BRASIL!”, de 3 de outubro, com 36,8 milhões.

Considerações finais sobre a análise digital O post com mais curtidas e comentários do ano é o pronunciamento de Flávio após o resultado do primeiro turno, em 4 de outubro, após superar Lula por uma diferença de 2,2 milhões de votos: foram 3,5 milhões de interações. O melhor desempenho de Lula no Instagram foi um vídeo de 7 de outubro que convoca os eleitores para o segundo turno, com 2,8 milhões de interações. Na pré-campanha, os recordes foram um vídeo de Flávio com críticas a Lula no carnaval, em 16 de fevereiro (2,3 milhões), e o lançamento do “Rap do Silva” por Lula, em 26 de julho (1,3 milhão).

Fonte: G1 - Política