Fisiculturismo: entenda a estratégia do ‘carb-up’ na reta final
O fisiculturismo exige estratégias extremas na reta final de preparação, sendo o “carb-up” uma etapa praticamente indispensável nos sete dias que antecedem uma competição. Trata-se do momento em que o atleta preenche a musculatura com glicogênio por meio do consumo elevado de carboidratos, uma manobra capaz de transformar drasticamente o físico em poucos dias.
A estratégia na prática
Durante o registro e a pesagem para o Mr. Olympia Brasil 2026, realizada nesta sexta-feira (16), o fisiculturista amador Kelvim Suguihara compartilhou detalhes dos bastidores de sua preparação para a disputa do cartão profissional da IFBB Pro League no sábado (17).
“Como eu já tinha batido o peso [antes do dia da pesagem], começamos a encher o físico um pouco antes. Mas, se não tivesse batido, a gente esperaria até a hora da pesagem para só depois começar o ‘carb-up’. […] Nesse momento, a gente não usa muitas fontes de fibra, como por exemplo legumes. Como a proteína também tem uma digestão um pouco mais difícil, a gente diminui as quantidades —geralmente eu como 100 gramas [de um alimento rico em proteínas] por refeição”, relatou o atleta, conhecido como Kerubin.
Dieta personalizada e ajuste em tempo real
A seleção dos alimentos varia conforme a preferência de cada competidor. No caso de Kerubin, a base da dieta consiste majoritariamente em arroz, que serve como principal fonte de carboidratos, e salmão, responsável por fornecer proteínas e gorduras.
A cada refeição realizada entre a pesagem e o espetáculo, o competidor da categoria Classic Physique executa poses na frente de seu preparador. É com base nessa avaliação visual que o profissional define as porções seguintes, o que significa que o atleta não sabe exatamente quanto irá comer até o dia do show. O “coach” ajusta o cardápio conforme a resposta do corpo, resultando em um “carb-up” que costuma envolver cinco a seis refeições diárias de 400 gramas de arroz cada, ultrapassando 2 quilos do grão por dia.
“A gente busca trabalhar com água, sal e carboidratos, já que é a forma mais fácil de completar os estoques de glicogênio —que faz o músculo apresentar aquele aspecto cheio e arredondado”, concluiu.
O objetivo do ‘carb-up’ e o controle de água
A fase que antecede o evento foca na eliminação máxima de gordura corporal. Contudo, como a perda desse tecido é quase nula no curto prazo, o objetivo da última semana passa a ser a remoção do líquido retido entre o músculo e a pele, além de garantir a hidratação adequada da musculatura.
O grande desafio dos competidores é evitar os extremos ao subir ao palco. É comum que alguns apresentem o aspecto chamado de “flat” (quando o atleta está sem volume por falta de comida suficiente), enquanto outros acabam “transbordando” — termo utilizado quando o excesso de alimentos faz a água se acumular na camada entre o músculo e a pele. O segredo para o sucesso na competição reside na precisão matemática do equilíbrio nutricional.
Fonte: Folha Esportes