Fim da escala 6×1 vira lei após desabafo viral de balconista na internet
O debate sobre a jornada laboral no Brasil mudou completamente após o desabafo de um balconista de farmácia nas redes sociais. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra o regime de seis dias de trabalho para um de descanso foi aprovada pelo Congresso nesta quarta-feira (14).
A origem do movimento nas redes sociais Em 2023, o trabalhador Rick Azevedo publicou um vídeo no TikTok questionando a exaustão da rotina profissional. A postagem alcançou milhões de visualizações e deu início a uma forte mobilização digital.
‘Estou querendo saber quando nós, da classe trabalhadora, iremos fazer uma revolução nesse país relacionada à escala 6×1?’, questionava Rick Azevedo, em vídeo que viralizou no TikTok, postado em 13 de setembro de 2023
Na época, o autor da publicação relatava que, mesmo sem filhos e morando sozinho, não conseguia realizar tarefas básicas durante a semana. Posteriormente, a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) encampou a pauta, que também recebeu o apoio oficial do governo Lula. O analista político Bernardo Melo Franco destacou durante o podcast “O Assunto” a força dessa nova articulação virtual.
“Essa é uma história interessante porque fala um pouco dessa nova política digital que a gente tá aprendendo a acompanhar”, afirmou o jornalista.
Tramitação no Legislativo e regras da nova jornada A proposta avançou na Câmara dos Deputados em 2025, unindo textos anteriores do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e da deputada Érika Hilton (PSOL). O projeto estabelece duas folgas semanais remuneradas — preferencialmente com um domingo no mês — e diminui o limite semanal de 44 para 40 horas, sem cortes nos salários.
As empresas terão um período de adaptação de 14 meses, e a nova norma entrará em vigor dois meses após a sanção definitiva. Na Câmara, a medida obteve ampla vantagem: 472 votos a 22 no primeiro turno, e 461 a 19 no segundo, antes de ser enviada para análise no Senado.
O ritmo da votação e os impactos econômicos O andamento no Senado enfrentou atrasos devido ao calendário eleitoral de 2024 e a uma decisão estratégica do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que optou por adiar a votação para o período pós-eleições para blindar os senadores da pressão partidária imediata.
Pesquisas do Datafolha indicam que cerca de 70% da população apoia a alteração. Enquanto defensores apontam melhorias na qualidade de vida e no convívio familiar, o setor empresarial demonstra preocupação. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) alerta para o encarecimento da mão de obra e a necessidade de reestruturação de equipes. Por outro lado, especialistas em economia avaliam que o impacto sobre o nível geral de empregos tende a ser neutro a longo prazo.
Fonte: G1 - Política