Governo quer investigação de seis jogos eletrônicos populares por risco similar ao das bets
O Ministério da Justiça enviou uma nota técnica à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) solicitando a investigação de seis jogos eletrônicos que utilizam o sistema de caixas de recompensa, conhecidas como loot boxes. A medida busca proteger menores de idade contra perigos análogos aos das apostas online, modalidade que enfrenta forte restrição no país.
Impacto da ECA Digital e títulos visados Essa movimentação ocorre justamente quando a ECA Digital completa seis meses de vigência. A legislação, voltada para a segurança de crianças e ambientes virtuais, impôs limites severos ao acesso de menores de idade a recursos de premiação baseada na sorte dentro dos games.
A relação de títulos apontados pelo governo federal inclui o Counter-Strike 2, desenvolvido pela Valve; Call of Duty, da Activision; Genshin Impact, da HoYoverse; PUBG Mobile, da Tencent Games; além de NBA 2K26 e WWE 2K26, ambos da Take-Two Interactive.
Funcionamento e riscos das loot boxes O modelo das caixas de recompensa funciona por meio da aquisição de itens virtuais ou benefícios utilizando dinheiro real ou moedas internas dos games. Contudo, o prêmio exato entregue ao usuário é determinado puramente pelo acaso.
Um levantamento da Coordenação-Geral de Políticas de Classificação Indicativa pontua que o eixo principal dessa dinâmica é a imprevisibilidade. O consumidor gasta o seu dinheiro antes de descobrir o conteúdo exato que vai adquirir, sendo o resultado definido por chances calculadas pelas próprias desenvolvedoras.
“A análise indica que a exposição às caixas de recompensa na infância e adolescência está associada, segundo a literatura científica examinada, a desfechos ligados ao jogo problemático, sofrimento psicológico e danos financeiros, embora essa associação não autorize, isoladamente, afirmar relação causal direta com transtornos clínicos”, diz a nota do Ministério da Justiça.
Preocupação com o público jovem Para a pasta, a presença desses artifícios se torna alarmante quando atinge diretamente o público infantojuvenil ou integra plataformas altamente acessadas por essa faixa etária.
“Vale destacar que a associação entre a compra de caixas de recompensa por crianças e adolescentes e comportamento problemático de apostas não decorre apenas de um estudo isolado, mas um conjunto de estudo, que atravessa países”, acrescenta o governo.
Próximos passos da fiscalização Diante dos apontamentos enviados pelo Ministério da Justiça, caberá à ANPD avaliar os dados fornecidos e deliberar sobre quais atitudes serão tomadas em relação aos desenvolvedores e às plataformas citadas.
Fonte: G1 - Política