Pesquisa Quaest mostra empate técnico entre Flávio e Lula no segundo turno
A primeira pesquisa do instituto Quaest para o segundo turno da eleição presidencial de 2026 revela um cenário de empate técnico entre os candidatos. O levantamento aponta Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto, enquanto o atual mandatário, Lula, registra 44%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, Flávio oscila entre 44% e 48%, ao passo que Lula transita na faixa de 42% a 46%.
Evolução e impacto do primeiro turno
Na última sondagem realizada antes do pleito inicial, no dia 3 de outubro, Flávio já pontuava numericamente à frente, com 44% contra 42% do adversário, também em situação de empate técnico. Desde então, ambos registraram oscilações positivas. A principal retração observada foi na fatia de eleitores que declaram intenção de votar em branco, nulo ou que pretendem se abster.
O recall verificado nas urnas no primeiro turno alinhou-se de perto aos números da pesquisa: Flávio marcou 35% entre o total de eleitores aptos, Lula obteve 34%, Cury, Renan e Caiado somaram 2% cada, enquanto 22% votaram em branco, nulo ou se absteram. O resultado consolidou-se devido a um forte movimento de voto útil à direita, com eleitores migrando de nomes como Zema, Caiado, Cury e Renan para Flávio — sendo que 15% do eleitorado considerou votar em concorrentes alternativos antes da primeira votação.
Do total de apoios recebidos por Flávio no primeiro turno, 7% definiram a escolha na última semana da campanha e 10% no próprio domingo da eleição. Em contrapartida, 84% dos eleitores de Lula já haviam sacramentado o voto antes mesmo do início da propaganda eleitoral.
Comportamento do eleitorado e rejeições
Entre os 7% que optaram por alternativas no primeiro turno, a maioria migra para Flávio nesta nova etapa. A exceção ocorre no grupo oriundo de Cury, cujos votos aparecem divididos. No entanto, o fiel da balança para a disputa acirrada está nos eleitores que anularam, votaram em branco ou se abstiveram na etapa anterior: 43% deles declaram voto em Lula, enquanto 38% pretendem apoiar Flávio. Reduzir a abstenção, portanto, mostra-se um movimento insuficiente por si só, mas fundamental para a campanha petista.
Indicadores de medo e avaliação de governo
O indicador que mede o temor dos eleitores sinaliza uma recuperação relativa de Lula. O receio em relação ao retorno da família Bolsonaro voltou a empatar tecnicamente com o medo da continuidade do atual governo. Em 3 de outubro, o temor ligado ao clã Bolsonaro encontrava-se no patamar mais baixo da série histórica. Entre os jovens, a divisão é exata: 45% temem a volta de Bolsonaro e 45% temem a continuidade de Lula.
As justificativas para o medo divergem. Os críticos de Lula apontam corrupção, custo de vida e gestão ineficiente. Já os opositores de Bolsonaro destacam rejeição pessoal à família, a tentativa de golpe, lembranças de uma administração ruim e o risco de término de programas sociais, sendo a corrupção apenas o quinto motivo mais citado.
A aprovação da gestão federal registrou melhora marginal: 45% aprovam o governo, frente a 44% na pesquisa anterior, ao passo que a desapropriação caiu de 49% para 48%. Apesar do saldo negativo, a margem estreita impõe desafios adicionais para uma virada.
Propostas e interesse nas urnas
Nesse contexto, pautas específicas ganham peso. Medidas como a proibição das bets, o fim da escala 6×1, a valorização anual do salário mínimo e a zeragem de impostos na cesta básica encontram aprovação entre quem as conhece. Do lado de Flávio, geram apoio propostas como a redução da maioridade penal, a classificação de facções criminosas como terroristas e o impeachment de ministros do STF. O pacote voltado a MEIs apresenta potencial positivo, mas ainda carece de disseminação, enquanto a proposta de pagamento por hora divide opiniões. Em contrapartida, a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o fim da reeleição com mandato de cinco anos e restrições aos mandatos no STF acumulam maior rejeição.
Com apenas 11 dias restantes até a decisão nas urnas, o interesse pelo pleito cresce: 51% dizem estar muito interessados — acima dos 45% registrados na véspera do primeiro turno —, enquanto o percentual dos que demonstram desinteresse recuou de 21% para 17%.
Apesar da mobilização, nenhum dos dois postulantes convenceu a maioria de que possui méritos para ocupar o cargo: 49% avaliam que Flávio não merece ser presidente, e 51% afirmam o mesmo sobre Lula. No campo das rejeições, novo empate técnico: o potencial de voto de Lula alcança 47%, comparado a 46% de Flávio, enquanto a rejeição atinge 53% para o presidente e 54% para o desafiante.
A pesquisa da Quaest ouviu 2.154 pessoas entre os dias 10 e 13 de outubro. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com nível de confiabilidade de 95%, sob o registro no TSE sob o número BR-8729/2026.
Fonte: G1 - Política