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Caderno Mercado

Eleitores de Flávio decidiram voto mais tarde que os de Lula

Eleitores de Flávio decidiram voto mais tarde que os de Lula

A consolidação do apoio popular ocorreu em ritmos distintos para os dois principais concorrentes ao Palácio do Planalto. Enquanto 10% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) deixaram para cravar a decisão apenas no dia do primeiro turno, essa fatia foi de 5% entre os apoiadores de Lula (PT), segundo dados apurados pelo instituto Quaest.

Momento da escolha do candidato no primeiro turno

O levantamento mapeou o período exato em que os brasileiros definiram seus votos, apontando que o petista construiu sua base com antecedência expressiva. Ao todo, 84% dos eleitores de Lula já estavam decididos antes mesmo do começo oficial das campanhas. No caso do senador do PL, a fatia convicta antes do período eleitoral correspondeu a 66%.

A distribuição do momento de escolha entre os votantes de Flávio Bolsonaro ocorreu da seguinte forma:

  • Antes do início da campanha: 66%
  • Logo no início da propaganda: 16%
  • Na última semana de votação: 7%
  • Entre a véspera e a antevéspera (sexta e sábado): 1%
  • No próprio dia da eleição: 10%
  • Não sabem ou não responderam: 0%

Já o eleitorado do atual presidente apresentou o seguinte padrão de definição:

  • Antes do início da campanha: 84%
  • Logo no início da propaganda: 8%
  • No dia da eleição: 5%
  • Na última semana de votação: 2%
  • Entre a véspera e a antevéspera (sexta e sábado): 1%
  • Não sabem ou não responderam: 0%

Cenário de empate técnico no segundo turno

Na primeira projeção para o segundo turno, o cenário nacional segue indefinido. Flávio Bolsonaro aparece com 46% das intenções de voto contra 44% de Lula. Pela margem de erro estimada em dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois postulantes figuram tecnicamente empatados. Votos brancos, nulos ou abstenções declaradas somam 9%, enquanto 1% dos participantes não soube opinar.

A pesquisa consultou 2.154 cidadãos a partir de 16 anos, entre os dias 10 e 13 de outubro. O nível de confiança estatística é de 95%, e o estudo está registrado sob o código BR-08729/2026 junto à Justiça Eleitoral.

Transferência de votos e segmentos do eleitorado

O comportamento dos eleitores que apoiaram outros nomes no início de outubro dita o ritmo das migrações. Entre os apoiadores de Caiado, 42% agora migram para Flávio Bolsonaro, taxa que chega a 40% entre a base de Renan. Já no eleitorado de Cury, a divisão é acirrada: 34% apoiam Lula e 30% optam pelo candidato liberal. Do grupo que se absteve na rodada inicial, 43% preferem o petista e 38% declaram preferência por Flávio.

Divisão por demografia e renda

O candidato do PL constrói suas margens mais sólidas entre os evangélicos (60% a 28%), na região Sul (61% a 30%) e nos estratos com renda familiar acima de cinco salários mínimos (53% a 39%). Por outro lado, Lula lidera com folga na região Nordeste (61% a 32%), nas faixas de renda de até dois salários mínimos (53% a 36%) e entre eleitores pretos (51% a 39%).

Clima de polarização e avaliação da gestão

A disputa segue marcada pela cristalização de posições: 91% dos entrevistados afirmam que a opção atual é definitiva, frente a 9% que admitem possibilidade de mudança até o pleito. Na modalidade espontânea, apenas 7% seguem sem apontar um nome preferido.

O sentimento de rejeição também caminha parelho: 54% dos brasileiros dizem não votar em Flávio Bolsonaro sob nenhuma hipótese, ante 53% que rejeitam Lula integralmente. Além disso, o receio diante dos desfechos eleitorais mostra equivalência exata, com 43% afirmando temer o retorno da família Bolsonaro ao Executivo e outros 43% temendo a continuidade da administração petista, cuja gestão é desaprovada por 48% e aprovada por 45% da população.

Fonte: G1 - Política