Terras raras no Brasil atraem 18 estrangeiras com R$ 17 bi
A recente aquisição da Meteoric Resources pela também australiana Lynas, em uma transação de R$ 3,5 bilhões para extrair terras raras na região sul mineira, coroa uma intensa movimentação internacional pelo setor no país.
Corrida global pelos minerais críticos
Atualmente, pelo menos 18 companhias internacionais mantêm processos de pesquisa e exploração de terras raras em território brasileiro. Esses empreendimentos reúnem mais de US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 17,5 bilhões) entre aportes já efetivados e projecções iniciais, montante que tende a crescer rapidamente conforme os projetos avançam das fases preliminares.
O avanço estrangeiro busca assegurar fontes alternativas fora da China, atual dominante absoluta na extração e no refino global desses elementos. Entre os grupos mapeados, a Austrália lidera com 11 empresas, seguida por Canadá e Estados Unidos com três cada, além de uma corporação sediada nas Ilhas Marshall.
Tecnologia e o desafio da industrialização
Essenciais para a fabricação de ímãs de alta performance aplicados em carros elétricos, turbinas eólicas e artigos de defesa, as terras raras exigem processos complexos de separação e refino para gerar maior valor agregado. A meta do Palácio do Planalto é evitar que o país atue apenas como exportador de commodities brutas.
Com a sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), o governo aposta em incentivos regulatórios e fiscais para atrair plantas industriais. O Ministério de Minas e Energia declarou que “o Brasil irá receber a primeira grande planta industrial de separação e processamento de minerais críticos e estratégicos” e pontuou que “esse plano evidencia que os investidores internacionais já estão respondendo às premissas de agregação de valor local e soberania consolidadas pela nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos”.
Contudo, especialistas apontam que o sucesso da medida dependerá da regulamentação. Para Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), “a nova política de minerais críticos vem com a promessa de que serão acionados novos instrumentos, governança e medidas para que esse minério não seja apenas extraído e exportado, mas realmente sirva para estimular o adensamento da cadeia de valor”. Ela acrescenta: “Eu acho difícil chegar a uma exigência que faça com que o setor privado seja regulado, a despeito de qualquer coisa. A mineração já é um setor altamente internacionalizado e isso não vai mudar. A legislação traz artigos e estímulos que buscam indicar quais são os instrumentos para favorecer esses projetos.”
Panorama dos projetos no país
Enquanto a mineira Serra Verde, em Goiás, opera comercialmente desde 2024 após receber mais de US$ 1 bilhão, outras iniciativas combinam processamento local e planos no exterior. A Serra Verde ressaltou que “já agrega valor no Brasil”, justificando que “não exporta minério bruto e opera, em Minaçu, uma mina e uma planta integrada de processamento, onde produz Carbonato Misto de Terras Raras”.
Outras companhias, como a canadense Aclara e as australianas Brazilian Rare Earths e Viridis, estruturam centros de pesquisa, plantas-piloto e unidades de tratamento químico com apoio de financiamentos bilionários e recursos do BNDES.
Por fim, o Ministério de Minas e Energia reforçou que “o avanço dos projetos minerais na cadeia de valor deve ser estimulado por uma combinação de incentivos e instrumentos regulatórios”, destacando que o Conselho Nacional dos Minerais Críticos atuará ativamente para induzir as empresas a ampliarem o beneficiamento e a transformação tecnológica no país.
Fonte: Folha - Mercado