Grupo Veloci quer triplicar faturamento até 2030 com nova visão para o automobilismo
O Grupo Veloci, dono da Stock Car e maior conglomerado de automobilismo da América do Sul, traçou um plano ambicioso para o futuro e projeta triplicar o seu faturamento até o final da década. Para alcançar essa meta, a holding aposta em estratégias que vão desde a aquisição de campeonatos concorrentes até a internalização de serviços operacionais que antes eram terceirizados em cada etapa das competições.
Estratégia de negócios nas pistas
Sob a liderança de Lincoln Oliveira, CEO da empresa, a proposta é transformar os fins de semana de corrida em uma ampla plataforma de geração de negócios B2B e B2C entre marcas patrocinadoras e empresas parceiras. Enquanto o público enxerga o espetáculo como o fim da linha, a gestão o trata como um meio estratégico.
“A paixão coloca o carro na pista, mas são os negócios que mantêm ele na pista. Você não tem como criar um evento grandioso, um evento que seja cada vez maior, que as pessoas consigam se tornar mais profissionais, seja mecânicos, equipes, se você não tiver negócios envolvidos”, afirma Oliveira, que também é pai do piloto Gabriel Bortoleto, único brasileiro na Fórmula 1.
Aquisições e crescimento das categorias
O portfólio da holding deve crescer ainda mais em breve. O grupo pretende anunciar a compra do campeonato Ultimate Drift, criado pelo piloto João Barion. Caso a fase de diligência seja concluída positivamente, a modalidade passará a integrar a estrutura que já comanda a Stock Car Pro e Light, Fórmula 4 Brasil, Turismo Nacional, TCR Brasil e TCR South America.
O apelo popular da nova modalidade justifica o investimento. Em agosto, uma etapa disputada em Ribeirão Preto reuniu mais de 20 mil pessoas. Juntas, as seis categorias atuais encerram o ano com um faturamento estimado em R$ 230 milhões, registrando um salto de quase 30% em relação ao ciclo anterior.
Verticalização e novas receitas
Para segurar os custos operacionais e elevar os lucros, a gestão substituiu o aluguel recorrente pela compra definitiva de equipamentos essenciais, como geradores, estruturas metálicas e sistemas de telecomunicação. Os investimentos incluem um painel de LED de 120 metros no pódio, salas de resfriamento para os pilotos e uma carreta de 23 metros equipada para monitorar mais de 180 câmeras de fiscalização da confederação da modalidade.
A organização também reformulou a exposição publicitária nos autódromos, criando setores exclusivos para marcas únicas, a exemplo do que ocorre na Fórmula 1. Além disso, o calendário ganha atrativos como a Corrida do Milhão e produções audiovisuais inspiradas no modelo da Netflix para documentar a jornada de jovens talentos na Academia da Stock Car.
Planos de expansão e IPO
Para os próximos anos, o plano da companhia é estruturar a abertura de capital na bolsa de valores, projetando um IPO entre 2027 e 2028, quando o cenário macroeconômico apresentar condições mais favoráveis para atingir a meta de R$ 500 milhões em receita.
“É lógico que quando o país não está bem economicamente, não tem janela. Veja o exato momento agora, um monte de empresa gostaria de fazer o IPO, mas não é o momento adequado. Então provavelmente, seja a partir do ano que vem, eu diria 2027, 2028, melhor ainda, serão os momentos adequados para isso.”, conclui o executivo.
Fonte: Folha - Mercado