Plano econômico de Flávio Bolsonaro gera alertas sobre riscos fiscais
A equipe econômica ligada ao senador Flávio Bolsonaro (PL) tem desautorizado propostas e versões de planos fiscais que circulam nos bastidores, parecendo rejeitar medidas tradicionais de contenção de despesas defendidas por liberais.
Contradições nas propostas da campanha Entre os pontos negados publicamente estão a desvinculação do piso de benefícios previdenciários e assistenciais do salário-mínimo, o corte na vinculação obrigatória de verbas para saúde e educação, além de assegurar que o salário-mínimo continuará tendo ganhos reais acima da inflação.
Entretanto, analistas apontam que mesmo a manutenção dessas regras esbarra em armadilhas matemáticas. Um reajuste real simbólico de apenas 0,1% acima da inflação, por exemplo, ainda seria contabilizado como ganho real, mantendo a car “@{tag}” rigidez do sistema sem representar um avanço expressivo para o trabalhador.
O peso das despesas obrigatórias Nos últimos 12 meses até agosto, o crescimento nominal das despesas federais atingiu R$ 238,5 bilhões. Desse total, mais da metade (R$ 131 bilhões) veio exclusivamente de gastos sociais obrigatórios, como Previdência, saúde, educação, abono salarial, seguro-desemprego e Fundeb, sem contar o Bolsa Família.
Quando se somam os gastos extras com a folha de pagamento do funcionalismo público, a fatia sobe para R$ 169,5 bilhões, representando 71% de todo o acréscimo nos gastos do governo no período. No total, rubricas como Previdência, pessoal, benefícios sociais, saúde e educação respondem por 90% de todo o gasto primário da União.
Metas inexequíveis e promessas cruzadas Circula nos bastidores a meta de conter cerca de R$ 200 bilhões em despesas sob uma eventual gestão, embora pairem dúvidas se o plano envolve cortes diretos ou apenas um freio no ritmo de crescimento dos gastos ao longo de 18 meses.
Diante do peso esmagador das despesas obrigatórias, congelar R$ 200 bilhões no aumento de gastos exigiria paralisar totalmente novos investimentos em áreas sociais e de pessoal, já que o restante da máquina pública opera com margens mínimas. A alternativa para viabilizar tal plano envolveria a revisão drástica de subsídios e incentivos fiscais, o que, na prática, configuraria um aumento de impostos — medida publicamente rechaçada pelo espectro político do candidato.
Fonte: Folha - Mercado