Donald Trump cria comitê para investigar Lisa Cook, diretora do Fed
O governo dos Estados Unidos anunciou a formação de um comitê especial com a finalidade de apurar a conduta de Lisa Cook, integrante da diretoria do Federal Reserve (Fed), o banco central do país. A medida foi oficializada por meio de um comunicado divulgado pela Casa Branca nesta sexta-feira (9).
Contexto da investigação De acordo com o documento oficial, que carrega a data de 7 de outubro, a tarefa principal do grupo será avaliar os questionamentos levantados contra a dirigente. “Para me auxiliar no cumprimento dessa responsabilidade, o comitê deverá investigar as acusações contra a diretora Cook e me informar se há ‘justa causa’ para sua destituição”.
O cronograma do painel O memorando assinado pelo presidente estabelece ainda que o colegiado promoverá uma sessão de debates presencial nas dependências da Casa Branca. O intuito dessa etapa é examinar os elementos probatórios e as denúncias direcionadas à autoridade monetária, respeitando um limite de quatro horas de duração.
Histórico do atrito institucional Essa investida representa um novo capítulo na estratégia adotada para tentar afastar Cook de suas funções. As tensões ganharam força em 2025, quando surgiram alegações de fraudes hipotecárias contra a diretora, fatos veementemente rechaçados por ela.
A defesa da dirigente e o posicionamento jurídico Lisa Cook, que marcou história ao se tornar a primeira mulher negra a integrar a alta cúpula do banco central, sustenta que os questionamentos servem apenas como subterfúgio político em virtude de divergências ligadas à gestão das taxas de juros. Em meados de junho, a Suprema Corte americana concedeu uma suspensão temporária ao ato de destituição, apontando falhas procedimentais na garantia de ampla defesa.
Posteriormente, em agosto, a administração federal enviou um novo aviso estipulando um prazo de três semanas para manifestação. Na época, Abbe D. Lowell, representante legal da diretora, classificou as alegações como “sem fundamento” e sustentou a inexistência de motivos legais válidos para o rompimento do mandato.
Antecedentes e desdobramentos A intervenção da Suprema Corte, decidida por margem estreita de cinco votos a quatro, limitou-se a assegurar o direito de defesa, remetendo o processo para instâncias inferiores sem julgar o mérito das acusações. Nomeada originalmente em 2022 por Joe Biden e reconduzida no ano seguinte para um período que se estende até 2038, Cook enfrenta um cenário inédito: trata-se da primeira vez desde a fundação do Fed, em 1913, que um presidente tenta remover um membro de sua diretoria.
Fonte: G1 Economia