Lula endurece tom sobre segurança pública e desafia Flávio Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura mais firme em relação à segurança pública no país durante reunião com parlamentares do Partido dos Trabalhadores realizada em Brasília.
Nova estratégia para a segurança pública
O chefe do Executivo federal defendeu com veemência a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição elaborada pelo governo para o setor. Segundo o mandatário, o objetivo central é garantir que a União tenha maior protagonismo no enfrentamento à criminalidade organizada, preenchendo lacunas deixadas pelo modelo atual.
“Na hora que a gente definir a aprovação da PEC, nós vamos aprovar o Ministério da Segurança Pública, para que a gente possa fazer funcionar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp)”, introduziu Lula.
O presidente argumentou que os governos estaduais não conseguiram conter o avanço das facções criminosas sozinhos sob as regras vigentes desde a promulgação da Constituição de 1988. Para reverter esse cenário, o plano governamental prevê a federalização e a modernização de unidades prisionais.
“Então queremos uma mudança para que a União possa entrar na questão de segurança, melhorando a participação da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Penal. Nós estamos transformando 138 presídios regionais, onde o Comando Vermelho e o PCC comandam o crime, em cadeia de segurança máxima, para que a gente possa acabar com o crime”, declarou Lula.
Durante o pronunciamento, o político sintetizou a nova diretriz estratégica voltada para o eleitorado e para o combate à criminalidade.
“O nosso lema é o seguinte: ‘Para o povo trabalhador, a proteção; para o bandido, a prisão. É esse o nosso lema daqui pra frente, gente”, disse Lula.
Cobrança sobre a escala 6×1
Além do debate sobre a criminalidade, o presidente voltou suas críticas para o setor trabalhista e cobrou publicamente uma posição do senador Flávio Bolsonaro, seu oponente na disputa pelo Palácio do Planalto, a respeito da discussão sobre o fim do regime de trabalho de seis dias por um de descanso.
“O fim da escala 6×1… É muito importante que vocês que são parlamentares divulguem onde vocês moram, para os eleitores de vocês, o pessoal da comunidade, o significado do fim da escala 6×1. Nós temos que traduzir: ao invés de seis dias de trabalho, um de descanso, nós vamos querer cinco dias de trabalho, sem desconto salarial e dois dias de descanso”, declarou.
O líder do Planalto criticou os argumentos contrários à medida e fez um desafio direto ao parlamentar adversário no Congresso Nacional.
“Quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu desafio ele a votar favorável e a pedir para o PL votar favorável. Porque eles estão inventando uma história de que é melhor negociar com o patrão, como se, no acordo leonino, o trabalhador tivesse alguma vantagem. Então, nada de aceitar barganha”, concluiu Lula.
O endurecimento das declarações ocorre em um momento decisivo da campanha eleitoral, com foco na consolidação de bandeiras sociais e de combate à criminalidade para atrair o voto popular.
Fonte: G1 - Política