Futebol feminino brasileiro sofre com déficit financeiro e arenas vazias
O Brasil se prepara para sediar a Copa do Mundo feminina de futebol em menos de nove meses, com a expectativa de reunir 32 seleções e atrair mais de 2 milhões de torcedores aos estádios, segundo projeções da Fifa. Esse cenário de grande apelo popular, impulsionado pelo entusiasmo com grandes eventos e pelo apelo de figuras conhecidas como a atacante Marta, contrasta diretamente com a realidade enfrentada diariamente pelas equipes no cenário nacional de clubes.
O abismo entre o torneio de seleções e os campeonatos locais
Enquanto a seleção nacional atrai multidões, o cotidiano do esporte carece de engajamento do público. A artilheira da última edição do Campeonato Brasileiro, por exemplo, foi Marília Furiel, do Cruzeiro, autora de 11 gols em 18 jogos, um nome pouco conhecido do grande público se comparado às principais estrelas da modalidade.
Prejuízos financeiros e partidas com portões fechados
Um levantamento detalhado dos boletins financeiros de todas as 167 partidas da Série A do campeonato nacional revelou que a modalidade é profundamente deficitária e sofre com o desinteresse do público nas arenas.
Em alguns casos extremos, como nos jogos mandados pelo América-MG no estádio Frimisa, em Santa Luzia (MG), as partidas ocorreram com portões fechados e público zero, uma medida adotada exclusivamente para cortar custos operacionais, já que a abertura de praças esportivas demanda despesas elevadas com seguranças, equipes de limpeza e bilheteiros.
O impacto econômico nos clubes
Das 167 partidas disputadas no torneio, 162 registraram saldo negativo nos boletins financeiros. O prejuízo operacional acumulado chegou a R$ 3,402 milhões, sendo aliviado apenas pelos confrontos decisivos e por poucas exceções na fase de classificação, como alguns duelos do Corinthians e do Cruzeiro.
Em contrapartida, confrontos tradicionais como um clássico carioca reuniram pouco mais de duas centenas de torcedores, enquanto partidas em Salvador registraram menos espectadores do que o total de atletas em campo.
A visão da entidade máxima do esporte
A entidade que rege o futebol brasileiro repassa verbas anuais aos clubes participantes, garantindo um valor mínimo de R$ 720 mil para cada equipe, e comemora o crescimento expressivo na audiência televisiva nas fases finais da competição.
No entanto, a experiência nas arquibancadas permanece distante desse alcance digital. Para a confederação, cabe aos próprios clubes desenvolverem estratégias e iniciativas capazes de atrair o torcedor de forma definitiva para os estádios.
Fonte: Folha Esportes