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Caderno Mercado

Propostas de Flávio Bolsonaro e Lula para áreas prioritárias do país

Propostas de Flávio Bolsonaro e Lula para áreas prioritárias do país

Com a chegada de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) ao segundo turno da disputa presidencial — onde o candidato do PL aparece com 47,03% dos votos contra 45,16% do petista —, o debate eleitoral se volta para as soluções planejadas por ambos para os principais gargalos do país. Levantamentos recentes apontam que a violência, a corrupção e a economia lideram as apreensões da população.

Segurança pública e combate ao crime

O foco na segurança pública divide abordagens distintas entre os concorrentes. Pelo lado liberal, o plano “Brasil sem Medo” aposta em endurecimento penal e forte presença das forças de segurança.

Entre as medidas previstas pelo candidato do PL estão a redução da maioridade penal para 16 anos, a construção de cinco presídios de segurança máxima inspirados no modelo salvadorenho para zerar o déficit carcerário, e a classificação de facções e milícias como organizações narcoterroristas. O projeto também inclui a criação do Sistema Nacional de Fronteira, o dobro do orçamento federal para a área, o uso de um milhão de câmeras com reconhecimento facial no projeto Muralha Brasileira e a castração química para criminosos que cometam abusos contra mulheres e crianças, além de prever o redirecionamento de recursos de detentos para vítimas.

Já a campanha petista enfatiza a cooperação federativa e o estrangulamento financeiro das organizações criminosas. As diretrizes incluem a aprovação da PEC da Segurança Pública para redefinir atribuições entre União, estados e municípios, além do fortalecimento do programa Brasil Contra o Crime Organizado e da Lei Antifacção, com aporte de R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS). A proposta contempla ainda a consolidação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), a criação de um ministério específico para o setor, a expansão das Forças Integradas na Amazônia Legal e o aprimoramento do programa Celular Seguro.

Medidas contra a corrupção e reformas administrativas

No combate aos desvios de recursos, as estratégias divergem entre a enxugamento da máquina estatal e o aprimoramento tecnológico da transparência.

O programa de Flávio Bolsonaro propõe cortes profundos na administração pública, prevendo a eliminação de dez ministérios, redução de cargos comissionados, fim de supersalários e a reedição de um pacote antifraude na Previdência. A pauta econômica e administrativa inclui o fortalecimento da Lei das Estatais para barrar indicações políticas, a retomada do Programa Nacional de Desestatização, o fim da reeleição presidencial e alterações estruturais no Poder Judiciário.

Em contrapartida, a chapa de Lula aposta na modernização dos mecanismos de controle existentes. O planejamento prevê a manutenção do Plano de Integridade e Combate à Corrupção para o período de 2025 a 2027, utilizando inteligência artificial e dados abertos para aprimorar o Portal da Transparência, além de revisar o modelo de distribuição das emendas parlamentares e combater distorções orçamentárias.

Caminhos para a economia e o mercado de trabalho

A recuperação financeira e o estímulo ao setor produtivo ganham leituras opostas nos planos dos dois candidatos.

O candidato do PL estrutura seu programa em ajustes fiscais rigorosos acompanhados de desonerações. A proposta contempla o programa “Ganha, Ganha”, que oferece benefícios como juros menores e cashback para cidadãos adimplentes e capacitados, além de revisões na Reforma Tributária para reduzir o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). O plano inclui cortes de gastos públicos, simplificação do ambiente de negócios por meio de desburocratização e modelos contratuais com menor custo trabalhista voltados para jovens no primeiro emprego e profissionais acima de 50 anos.

O projeto de reeleição de Lula foca na estabilidade fiscal associada a incentivos sociais e industriais. A pauta econômica mantém o Novo Arcabouço Fiscal para equilibrar as contas públicas com preservação de pisos sociais e justiça tributária, incluindo a taxação de offshores e fundos exclusivos, além da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. O texto propõe fortalecer o desenvolvimento sustentável com a Nova Indústria Brasil, manter a valorização real do salário mínimo, apoiar a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem corte salarial, regular o trabalho por aplicativos e ampliar o crédito para micro e pequenas empresas.

Saúde, assistência social e educação

Os setores de atendimento básico e formação cidadã também recebem promessas distintas de reformulação e ampliação.

Na saúde, o candidato do PL propõe o programa “Brasil sem Fila”, baseado na digitalização do SUS com prontuário eletrônico único integrado à rede privada, adoção de inteligência artificial para agendamentos e contratação de exames em horários ociosos de clínicas particulares. Do lado petista, as metas englobam a rearticulação da atenção básica com o prontuário compartilhado, expansão do programa Mais Médicos, gratuidade de medicamentos e exames no Farmácia Popular, além de centros especializados para tratamento oncológico e mutirões em parceria com a iniciativa privada.

Para a área social e habitacional, Flávio Bolsonaro planeja vincular benefícios à qualificação profissional para reduzir a dependência estatal, proibir o uso de auxílios em apostas e retomar a vertente habitacional do programa Casa Verde e Amarela. Lula prioriza a continuidade de programas consolidados como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida, além de iniciativas de urbanização de favelas como o Periferia Viva e ações de combate ao racismo e proteção às mulheres.

Por fim, no campo educacional, o plano liberal enfatiza parcerias com o setor privado, adoção do método fônico na alfabetização, expansão das escolas cívico-militares e a criação de “vouchers” educacionais para a rede privada quando faltarem vagas públicas. Já o projeto petista concentra esforços na ampliação dos Institutos Federais, fortalecimento do ensino em tempo integral apoiado pelo Fundeb, valorização do piso nacional do magistério e expansão do programa Pé-de-Meia para incentivar a permanência dos estudantes na escola.

Fonte: G1 - Política