Mrv registra recorde de vendas no terceiro trimestre e fatura bilhões
A divisão de incorporação da MRV&Co, que engloba as marcas MRV e Sensia, alcançou um patamar histórico ao registrar R$ 3,04 bilhões em vendas durante o terceiro trimestre, o que representa um avanço de 29,6% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Conforme os dados revelados na prévia operacional, o valor médio de cada unidade comercializada apresentou alta de 3,1%, atingindo a marca de R$ 276 mil.
Crescimento nos lançamentos e produção
Além do desempenho comercial expressivo, a construtora também expandiu suas novas ofertas ao mercado. Os lançamentos tiveram um incremento de 12,4%, somando R$ 2,64 bilhões, enquanto o ticket médio desse segmento permaneceu estável em R$ 284 mil. No aspecto construtivo, a empresa entregou 11.258 unidades entre os meses de julho e setembro, assinalando uma elevação de 2,7% na produção. Por outro lado, o land bank — banco de terrenos da companhia — foi avaliado em R$ 40,5 bilhões, registrando uma retração de 7,2%.
O indicador de velocidade de vendas, conhecido como venda sobre oferta (VSO), avançou 3,5 pontos percentuais na base anual, situando-se em 25,1%. Ricardo Paixão, diretor-financeiro e de relações com investidores da MRV&Co, aponta que esse progresso decorre de aportes estratégicos realizados na capacitação da equipe de corretores e na aplicação de inteligência artificial na jornada de comercialização.
“Estamos vendo como nossa VSO e nosso volume de vendas tem potencial grande de evoluir à medida que esses investimentos vão ficando mais maduros”, afirma o executivo, destacando a perspectiva de novas melhorias operacionais futuras.
Impacto da paralisação e desempenho financeiro
Apesar do ritmo acelerado de negócios, a paralisação dos funcionários da Caixa Econômica Federal, que durou 19 dias em setembro, gerou entraves nos repasses financeiros. O problema comprometeu R$ 80 milhões na geração de caixa ajustada da construtora, que fechou o período com R$ 19 milhões. “Atrapalhou mais o caixa do que efetivamente o volume de vendas”, pontua Paixão.
No balanço consolidado do grupo — que abrange Urba, Luggo, Resia e a própria marca principal —, a geração de caixa ajustada foi de R$ 456 milhões, revertendo completamente a queima de R$ 23,4 milhões registrada no terceiro trimestre de 2025.
Redução de dívidas e operações internacionais
O alívio no endividamento do conglomerado veio acompanhado da desmobilização de ativos nos Estados Unidos e no Brasil. A dívida líquida da MRV&Co recuou de R$ 5,9 bilhões no segundo trimestre para R$ 5,3 bilhões, com projeção de nova queda para R$ 4,6 bilhões após a liquidação total de transações recentes envolvendo a Resia e terrenos.
A unidade americana Resia contribuiu com a redução de US$ 87 milhões em obrigações financeiras por meio da venda de dois projetos liquidada em julho. Outra negociação, no valor de US$ 170 milhões firmada em agosto, aguarda a conclusão da fase de due diligence para ser finalizada nos próximos meses, conforme explicou o diretor.
A subsidiária também colocou à disposição do mercado o empreendimento Golden Glades, localizado em Miami, que já conta com 95% das unidades locadas. Mesmo com possíveis reflexos da curva de juros de longo prazo nos Estados Unidos sobre a margem de saída, “em termos de operação”, o projeto seguiu conforme o planejado, atingindo o preço de locação esperado, segundo o diretor-financeiro.
No setor de locação nacional, a Luggo repassou três residenciais no final de setembro para um fundo estruturado em parceria com a Mauá Capital pelo montante de R$ 166 milhões. Com essa transação, que injetou R$ 144 milhões no caixa trimestral — sendo o restante condicionado à venda dos ativos pelo fundo ou ao prazo limite de sete anos —, a empresa passa a atuar exclusivamente na administração de imóveis para aluguel. A mudança estratégica ocorre “dado o contexto de juros atual”, conforme justificou a companhia.
Fonte: Economia - Valor