margaret hamilton, pioneira do software da apollo 11, morre aos 90 anos
Margaret Hamilton, matemática que liderou o grupo de cem pessoas responsável pelos sistemas de computação de bordo das missões Apollo, faleceu aos 90 anos em Cambridge, Massachusetts. A confirmação de sua morte, ocorrida em 30 de setembro, foi feita por sua filha Lauren.
Os primeiros passos na computação Nascida em Indiana, Hamilton formou-se em matemática pelo Earlham College em 1958. Inicialmente, seu objetivo era trabalhar para custear os estudos do marido na faculdade de direito, passando por projetos de previsão meteorológica e sistemas de rastreamento militar antes de ingressar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Em 1965, ela se tornou a primeira programadora contratada para o projeto Apollo no laboratório do MIT, ascendendo posteriormente ao cargo de diretora de engenharia de software da iniciativa que equipou os módulos lunar e de comando.
O desafio tecnológico da lua O desenvolvimento dos códigos ocorreu em uma época de recursos limitados, com os computadores de bordo dispondo de apenas 72 kilobytes de memória. Durante a descida histórica do módulo Eagle, a unidade de processamento disparou alarmes devido a uma sobrecarga de tarefas, mas o sistema projetado por sua equipe garantiu a priorização das operações vitais para o pouso bem-sucedido.
“Se o computador não tivesse reconhecido esse problema e tomado medidas para solucioná-lo, duvido que a Apollo 11 tivesse realizado o bem-sucedido pouso na Lua que realizou”, escreveu Hamilton em uma carta de 1971 à revista de informática Datamation.
Legado e reconhecimento mundial Além das missões lunares, Hamilton contribuiu para o projeto da estação espacial Skylab e para as fases iniciais dos ônibus espaciais, fundando posteriormente empresas próprias voltadas ao desenvolvimento de softwares. Ela recebeu em 2016 a Medalha Presidencial da Liberdade das mãos do então presidente Barack Obama, consagração que coroou seu papel fundamental na história da tecnologia aeroespacial.
“Eu não estava concentrada na missão em si; estava concentrada no software”, relembrou ela em uma entrevista de 2017 ao Museu da História do Computador. “Eu conseguia ver toda a trajetória da Apollo, assim: ‘Olha o que aconteceu. Conseguimos. Funcionou’”, recordou. “Foi emocionante.”
Fonte: Folha - Tecnologia