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Caderno Mercado

Startup de inteligência artificial Manus capta US$ 500 milhões após veto da China à Meta

Startup de inteligência artificial Manus capta US$ 500 milhões após veto da China à Meta

A startup de inteligência artificial Manus anunciou nesta quinta-feira (8) a conclusão de uma rodada de captação que arrecadou mais de US$ 500 milhões, o equivalente a R$ 2,51 bilhões. O aporte financeiro acontece poucas semanas após a empresa confirmar o retorno às suas operações independentes, logo após o distanciamento da dona do Facebook, WhatsApp e Instagram.

Nova fase e forte concorrência global

A companhia é reconhecida no mercado por oferecer uma ferramenta de agentes de IA capaz de executar tarefas reais para os usuários. O segmento está entre os mais concorridos do setor tecnológico atual, com diversos laboratórios empenhados em disponibilizar assistentes pessoais avançados ao mercado global.

De acordo com comunicado oficial da Butterfly Effect, controladora da Manus, a injeção de capital foi liderada conjuntamente pela Boyu Capital e pela IDG Capital. Esta representa a primeira rodada de financiamento desde o momento em que os fundadores e antigos investidores recompraram a empresa que havia sido negociada com a gigante norte-americana.

Participação de gigantes e valorização de mercado

A rodada contou ainda com a adesão de acionistas atuais, tais como Tencent, HSG Capital e ZhenFund. Embora a diretoria não tenha divulgado oficialmente o valuation atual, veicula-se na imprensa especializada que a companhia pode estar avaliada em aproximadamente US$ 4 bilhões, o que representaria R$ 20,05 bilhões.

O montante estimado seria o dobro dos US$ 2 bilhões previstos inicialmente no contrato de aquisição divulgado pela Manus e pela Meta em dezembro, acordo que figuraria entre as maiores transações comerciais na história da controladora do Facebook.

Intervenção estatal e novos produtos

A venda foi cancelada em abril após o órgão de planejamento econômico da China ordenar o desfazimento do negócio. Analistas apontam que a decisão refletiu a intenção de Pequim de exercer maior rigor regulatório sobre inovações tecnológicas concebidas dentro do próprio território chinês.

Nesse período, autoridades de Pequim teriam imposto restrições temporárias de viagens internacionais a dois dos cofundadores da empresa. Em setembro, a organização confirmou a retomada das atividades autônomas e aproveitou o momento para disponibilizar uma atualização robusta de sua tecnologia, além de revelar um novo aplicativo autônomo batizado de Cue.

Semelhante ao Muse, a ferramenta de agente pessoal da Meta que atraiu olhares do mercado por diversificar receitas além da publicidade, o Cue capacita os consumidores a criarem assistentes virtuais personalizados para funções cotidianas, como agendar mesas em restaurantes e realizar ligações. Além disso, a Manus informou estar estruturando equipes focadas em “desenvolver produtos para o mercado doméstico”.

Os dois cofundadores que anteriormente haviam enfrentado proibições de saída do território chinês marcaram presença no evento de lançamento de produtos promovido pela companhia em Singapura no mês passado.

Fonte: Folha - Tecnologia