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Caderno Mercado

Agentes de inteligência artificial ameaçam lucros dos bancos

Agentes de inteligência artificial ameaçam lucros dos bancos

O modelo de negócios tradicional das instituições financeiras, baseado no lucro obtido com o capital que os clientes deixam parado nas contas, pode sofrer um forte abalo com o avanço da inteligência artificial. Embora a inovação não seja capaz de derrubar grandes corporações do setor sozinha, o impacto financeiro estimado chega a centenas de bilhões de dólares.

A ameaça do dinheiro preguiçoso Assistentes virtuais avançados têm o potencial de ajudar os correntistas a gerenciar melhor trilhões de recursos ociosos. Em vez de aceitar o rendimento nulo das contas de depósito imediato, essas ferramentas podem alertar os usuários ou até mesmo transferir o excedente automaticamente para fundos de mercado monetário com taxas de retorno superiores.

O peso do spread bancário Atualmente, cerca de dois terços da receita dos bancos vêm do spread bancário, que é a diferença entre a remuneração paga aos depositantes e os juros cobrados nos empréstimos. Gigantes como JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo acumulam US$ 1,6 trilhão em depósitos que não rendem juros. Caso precisassem pagar uma taxa de 3% sobre esse montante, o custo anual seria de US$ 47 bilhões, comprometendo metade do lucro conjunto dessas três instituições.

Obstáculos e ganhos de eficiência Apesar do cenário de alerta, especialistas apontam que barreiras como a falta de confiança e o receio de falhas técnicas impedem uma migração em massa imediata dos recursos. Além disso, as instituições também devem lucrar com a tecnologia por meio de redução de custos, melhoria na precificação de empréstimos e prevenção de erros operacionais.

O presidente-executivo do Bank of America, Brian Moynihan, disse no mês passado que a instituição gastou US$ 400 milhões em melhorias relacionadas à IA e obteve US$ 800 milhões em benefícios.

Preocupações imediatas do mercado A projeção baseada em análises de mercado indica que o prejuízo potencial com a perda de depósitos estáveis pode alcançar US$ 500 bilhões nos Estados Unidos. No entanto, os investidores ainda focam em riscos mais imediatos, como a política de juros do Federal Reserve. Como o presidente-executivo do JPMorgan, Jamie Dimon, costuma alertar, o sistema bancário não enfrenta uma verdadeira crise de crédito há mais de uma década —e uma já está atrasada.

Fonte: Folha - Tecnologia